Sob lei do silêncio, ministros de Dilma têm altos e baixos

Com ordem para produzir muito e reclamar pouco, auxiliares da presidenta já evidenciam mais ou menos prestígio

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O Ministério da presidenta Dilma Rousseff conseguiu romper a barreira dos 100 dias de governo sem substituições. No entanto, não deixaram de acontecer altos e baixos que, de certo modo, fragilizaram ou fortaleceram alguns dos 37 ministros. Imperou a ordem do silêncio e da imediata adaptação ao estilo de governar da presidenta. Regra número 1: falar pouco, produzir muito. Regra número 2: não reclamar.

Agência Estado
Dilma Rousseff e seu Ministério em primeira foto oficial
Com a equipe formada por egressos do governo Luiz Inácio Lula da Silva , Dilma foi deixando de lado a postura de “igual” para ser “a chefa”. Com os que chegaram agora à Esplanada, tentou evitar contato direto, sobretudo os ministros indicados por partidos aliados.

No topo da lista, os peemedebistas. Pedro Novais (Turismo) e Garibaldi Alves (Previdência) tiveram que aceitar secretário-executivos - uma espécie de vice-ministro - indicados por Dilma. Ministro da Previdência até o fim de 2010, Carlos Gabas voltou à condição de secretário-executivo. O mesmo ocorreu com Frederico Costa, secretário-executivo do pasta do Turismo ligado ao PT.

Em ambos os casos, foi o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) quem pediu para Gabas e Costa serem escolhidos como secretários-executivos. Aliás, Palocci consolidou-se como o principal interlocutor da presidenta junto aos outros ministros. Como disse o secretário-geral da Presidência, “é o capitão discreto do time” da presidenta.

Palocci não conseguiu passar desapercebido apesar das negativas para dar entrevistas ou aparecer em público. Diante as turbulências na área econômica, o nome foi ventilado pelo mercado financeiro como contraponto às políticas implementadas por Guido Mantega (Fazenda). “Quanto mais ele fica forte pior é para o Palocci”, avalia um colega de Esplanada.

Disputa

Para tentar conter as especulações, Dilma saiu em defesa da política econômica empregada pelo ministro Mantega, em entrevista ao jornal Valor Econômico de 17 de março. O assunto, porém, continuou aceso. Em entrevista ao iG , o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que Palocci “é suficientemente inteligente para não entrar nenhuma disputa” .

No meio da briga, diferentes grupos tentam levar vantagem. Sobretudo o PT, que vive uma guerra interna de poder. A ala paulista majoritária pende, naturalmente, para Palocci. Há duas semanas, Mantega tentou mudar o jogo, reunindo-se em jantar com as bancadas petistas do Congresso. “E ele conseguiu ao defender crescimento e combate à inflação”, contou um petista que participou da conversa.

Quem a cada dia ganha mais espaço com a disputa entre Palocci e Mantega é o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico), um dos poucos amigos de longa data da presidenta dentro do governo. Ex-prefeito de Belo Horizonte com formação de economista, ele chega a ser citado por alguns como opção para substituir Mantega ou até mesmo de Palocci no futuro.

Ainda na área econômica, destaca-se a ministra Miriam Belchior (Planejamento), que anda afinadíssima com Mantega. Se num primeiro momento ela errou ao anunciar cortes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), retomou a confiança da presidenta ao cumprir à risca a ordem de evitar gastos. “Qualquer projeto que fala em bilhão tem de ser avisado à presidenta”, contou um ministro.

Quem vai mal

Justamente por estar à frente do projeto mais caro do governo - compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira -, o ministro Nelson Jobim (Defesa) é o que precisa ser mais cuidadoso com as palavras. Ele não gostou de ver emperrada a compra dos caças franceses, que chegaram a ser tidos como vencedores da negociação durante o governo Lula. Teve de ser obrigado a declarar que “tem um bom relacionamento com a presidenta”.

Outro ministro envolvido em projetos importantes e que anda mal avaliado é Orlando Silva (Esportes). Dilma não queria mantê-lo no cargo. Sua primeira opção era a deputada Luciana Santos (PC do B-PE), ex-prefeita de Olinda. Orlando Silva viu sua situação piorada ao ser alvo de denúncias de irregularidades em convênios firmados pelo ministério.

Criticado por integrantes de sua própria bancada, o ministro Mário Negromonte (Cidades) também não era a primeira opção para a pasta. Dilma queria manter Márcio Fortes, mas acabou pressionada pela bancada do PP, partido de Negromonte. Até quinta-feira, ele não havia sido recebido em audiência pela presidenta.

A ministra da Cultura, Ana de Holanda, também somou momentos ruins. Logo de imediato, foi chamada de “autista” pelo sociólogo petista Emir Sader. Então indicado para presidir a Casa Rui Barbosa, acabou fora do cargo. Apesar da aparente vitória, Ana perdeu força no PT. Em seguida, ela foi criticada pelo fato de o ministério ter autorizado a cantora Maria Bethânia a receber R$ 1,3 milhão para produzir um blog de poesia.

Quem se recuperou

Criticado por problemas no Exame Nacional do Ensino Médio ainda no governo Lula, Fernando Haddad, da Educação, viu-se ameaçado quando também ocorreram falhas no Sisu (sistema de distribuição de vagas em universidades públicas ) já no governo Dilma. Aos poucos, retomou forças e passou a surgir como opção para disputa a Prefeitura de São Paulo pelo PT em 2012.

Alvo de especulações logo após a votação do salário mínimo, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) foi outro que se recuperou, apesar de parte da bancada do PDT - partido comandado ele -  ter votado contra o governo. Aos poucos, ele conseguiu se desvencilhar da culpa, que acabou recaída sobre o líder da sigla na Câmara, Giovanni Queiróz (PA).

    Leia tudo sobre: dilma rousseff100 dias

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG