Sob elogios, Patriota assume Ministério das Relações Exteriores

Na solenidade, Celso Amorim, emocionado, aproveitou para despedir-se também de sua carreira diplomática

Priscilla Borges, iG Brasília |

O ministro de Relações Exteriores Antonio de Aguiar Patriota acaba de tomar posse no Itamaraty na presença de centenas pessoas, entre autoridades estrangeiras e nacionais, parlamentares e novos ministros. Bem humorado, Patriota, que tem praticamente a mesma altura que seu antecessor Celso Amorim, brincou com a regulação da altura do microfone antes de começar seu primeiro discurso. “Nem precisarei mexer em nada”, disse, após o discurso de Amorim.

Em seu primeiro pronunciamento, Patriota fez questão de ressaltar o papel que o Brasil ocupa hoje na política externa,agradeceu a presidenta Dilma Rousseff por ter escolhido um profissional de carreira para assumir o Ministério e pontuou a necessidade de manter o trabalho desenvolvido pelo Itamaraty durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva . “Ainda temos muito trabalho pela frente. Mas herdamos um País em excelentes condições econômicas e políticas e uma chancelaria que é bem vista internacionalmente”, afirmou.

Como um de seus primeiros passos como ministro, Patriota afirmou que já conversou com a presidenta sobre uma agenda de viagens presidenciais, que deverão ser feitas em países vizinhos e nos principais parceiros comerciais, como Estados Unidos e China. Dilma, segundo ele, já concordou.

A liberdade de expressão, ponto muito destacado nos discursos de Dilma e do ex-presidente Lula, somada à participação da sociedade de segmentos antes excluídos promoveram um crescimento no Brasil muito rápido em um curto espaço de tempo, de acordo com Patriota.

Assim como Celso Amorim, que em seu discurso de despedida ressaltou a capacidade brasileira de promover a paz como um dos aspectos que favorece o papel do País no cenário internacional, Patriota afirmou que é preciso valorizar essa tradição de paz e tolerância brasileira para expandir a atuação do País no cenário internacional.

Despedida
Em seu discurso de despedida, inclusive da carreira diplomática, o ex-ministro Celso Amorim fez um resgate de sua vida profissional e não conseguiu segurar a emoção ao relembrar a sua despedida da Embrafilme. Em 1982, no governo de João Baptista Figueiredo, o então diretor-geral da Embrafilme, Celso Amorim, foi demitido por conta de uma crise causada pelo filme "Pra Frente, Brasil", de Roberto Farias, que retratava a tortura no regime militar. Ao relembrar esse momento, Amorim disse que muito pior do que não ter dinheiro era não ter a liberdade de poder dizer o que pensava.

Agradecendo o presidente Lula e os funcionários do Itamaraty, Amorim elogiou ainda a escolha de Dilma para sua sucessão. “Ela não poderia ter feito melhor escolha. Excelente profissional de carreira, ele saberá conduzir muito bem o Ministério”. Cauteloso, Amorim conta que evitou dar conselhos a Patriota, mas deu somente uma sugestão: “Confie em você, em seus sentimentos e na sua convicção”, disse.

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