Setores do PT avaliam saída de Palocci e já cogitam substituto

Ala do partido quer que ministro se defenda sozinho; nomes como Paulo Bernardo lideram a lista de possíveis substitutos

iG Brasília |

Um grupo de deputados e senadores do PT já avalia a necessidade de substituição do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. A maior parte das conversas sobre assunto tem sido reservada para não melindrar a presidenta da República Dilma Rousseff . “Mas ninguém irá ficar contra a presidenta Dilma Rousseff se ela tiver disposição em mantê-lo a qualquer custo”, diz um congressista do PT.

Três nomes são vistos como opções para o posto: Paulo Bernardo (Comunicações), Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico) e Alexandre Padilha (Saúde). Entre os três, Bernardo levaria vantagem já que Pimentel enfrenta resistências do PT paulista e Padilha ainda não estaria pronto para a tarefa de cuidar de toda a gestão do governo.

Para o grupo de petistas insatisfeitos, Palocci se inviabilizou como articulador político e principal gestor do governo após vir à tona a notícia de que o ministro multiplicou por 20 o seu patrimônio. Um chefe da Casa Civil fraco deixa o governo vulnerável, argumentam os petistas.

O jornal Folha de S.Paulo publicou nesta quarta-feira que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ministro Paulo Bernardo, defendeu a saída de Palocci durante almoço com ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Ela nega. No entanto, tem afirmado que o chefe da Casa Civil ainda precisa prestar esclarecimentos sob o aumento do seu patrimônio em 20 vezes.

Palocci tem sido alvo de fogo amigo principalmente de setores do PT não alinhados com o grupo majoritário paulista. No fim de semana, o governador da Bahia, Jaques Wagner, chegou a afirmar que “todo mundo se surpreende porque é um rendimento muito grande”. Alijado das decisões do PT paulista, Eduardo Suplicy (PT-SP) admitiu que Palocci tinha uma “taxa de sucesso” como consultor.

Líderes do PT, sobretudo no Senado, avaliam que articulação política do governo está comprometida com Palocci enfraquecido. “Está faltando mediação, movimento ao governo”, afirmou um petista com acesso diário ao Palácio do Planalto. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) resistiu em fazer comentários sobre Palocci. “Não dá para ficar todo dia falando nisso. Dei minha solidariedade, mas é só que precisa se explicar”, afirmou.

Pressão

A principal preocupação é que o enfraquecimento de Palocci está dando força para o PMDB aumentar a pressão por cargos no governo. Como o iG publicou nesta segunda-feira, os peemedebistas querem cerca de 50 cargos no segundo escalão para seguir na defesa do chefe da Casa Civil.

Nesta quarta-feira, a presidenta Dilma inclui na agenda um almoço com a bancada do PMDB do Senado no Palácio da Alvorada. Na segunda-feira, o grupo teve uma prévia do encontro num jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer (PMDB).

O encontro ocorreu após o vazamento de uma conversa mais áspera entre Palocci e Temer. O vice foi cobrado pelo chefe da Casa Civil por causa da derrota do governo na votação do Código Florestal, há duas semanas. Na conversa, Palocci teria ameaçado demitir os seis ministros indicados pelo PMDB.

Segundo a análise de um grupo de petistas, o chefe da Casa Civil é um político experiente e deveria ter evitado um desgaste com Temer no momento que o governo está fragilizado. Dentro da bancada do PT no Senado, há quem duvide que o ministro tenha agido, de fato, a pedido de Dilma.

Na semana passada, o ex-presidente Lula já havia percebido o interesse de setores do PT na saída de Palocci. Por isso, fez questão de se reunir com as bancadas do PMDB e do PT no Senado. Lula cobrou unidade e defendeu que a saída de Palocci da Casa Civil seria ruim para o governo

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