Serra vira figurante em programa tucano

FHC é destaque em programa partidário no momento em que PSDB discute refundação e vê briga interna por espaço

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Candidato derrotado do PSDB na corrida presidencial, no ano passado, o ex-governador José Serra virou coadjuvante no primeiro programa de TV levado ao ar pelo partido desde as eleições. Em meio a uma queda de braço pelo comando da legenda, Serra foi apenas lembrado em imagens de arquivo e citado pelo agora desafeto Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, como puxador de votos para a eleição de governadores tucanos pelo País.

nullEm vez de Serra, o programa do partido – idealizado pelo publicitário Eduardo Guedes , ligado ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), e pelo jornalista Márcio Aith, secretário de Comunicação do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) – teve como principal estrela o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador mineiro também apareceu como coadjuvante – apenas foi lembrado em imagens ao lado do sucessor, Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Além de FHC, apenas Alckmin, Guerra e os líderes do partido no Congresso, o senador Alvaro Dias e o deputado Duarte Nogueira, tiveram espaço para falar no programa.

FHC foi escalado para falar sobre temas como participação de mulheres na política, liberdade de expressão, governo Lula , desenvolvimento e meio ambiente. Respondendo a perguntas de uma plateia, formada principalmente por eleitores jovens, ele pediu uma “chacoalhada” nos partidos políticos, inclusive o PSDB. Relembrou a criação do partido, 23 anos atrás, e defendeu que haja inovação e ousadia aos políticos tucanos. Ele elogiou a participação de duas mulheres na disputa presidencial de 2010 e conclamou o público feminino a integrar as fileiras do partido. “Participem também pela internet”, sugeriu.

Agência Estado
FHC dá palestra em Belo Horizonte
O discurso faz parte da ideia de "refundação" e valorização da história do partido, encampada pelo ex-presidente, que foi praticamente omitido da propaganda oficial tucana durante as eleições de 2006 e 2010.

Apesar de ter destacado avanços sociais nos últimos anos – e de ter dito que o processo não teve início na gestão petista – o ex-presidente se disse decepcionado, como político e como sociólogo, com o governo Lula. Afirmou que esperava mais inovação por parte do adversário, que conheceu quando o petista era líder sindical e prometia reformas estruturais. FHC disse ter ficado decepcionado com as alianças feitas pelo sucessor com “setores atrasados”, mas lembrou que, em sua gestão, também teve que recorrer às alianças para governar.

Alckmin, em sua fala, destacou a “capacidade de governar” do PSDB. Os demais governadores – de Minas, Alagoas, Paraná, Goiás, Pará, Tocantins e Roraima – foram citados rapidamente. Um narrador lembrou os 16 anos de governo tucano em São Paulo, enquanto eram transmitidas imagens das gestões Mário Covas (1994 a 2001), Alckmin (2001 a 2006) e Serra (2007 a 2010).

Serra foi citado pelo presidente nacional da legenda, que destacou os 44 milhões de votos recebidos pelo presidenciável nas últimas eleições – e que, disse Sérgio Guerra, representam as pessoas que não estavam satisfeitas nem aceitaram o “abuso político” e desrespeitos pela Justiça Eleitoral demonstrados, segundo o dirigente, pelo ex-presidente Lula.

O PSDB também levou ao ar atores que se diziam cidadãos insatisfeitos com a situação da segurança, emprego, saúde, estradas e ensino no País. Em suas falas, Alvaro Dias e Duarte Nogueira prometeram fiscalizar as ações do governo petista.

Guerra, que age no partido para se manter à frente da legenda , encerrou o programa dizendo que o PSDB não quer a “divisão do Brasil” – numa referência implícita ao ex-presidente Lula, criticado por adversários por incitar, em seus discursos, a ideia de “nós contra eles” para enfraquecer a oposição.

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