Serra vai ao Sul em busca do PMDB anti-Dilma

Tucano tenta conquistar o apoio do pré-candidato ao governo pelo PMDB, José Fogaça, que também enfrenta o assédio do PT

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Acompanhado pelo prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), Serra visita a cidade
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, começou hoje uma visita ao Rio Grande do Sul para tentar consolidar seu nome entre os integrantes do PMDB que rejeitam a aliança nacional com Dilma Rousseff (PT).

Serão dois dias de visitas a cidades gaúchas. Serra escolheu começar por Santa Maria, onde foi recebido pelo prefeito da cidade, Cezar Schirmer (PMDB). Ex-presidente do partido no Estado, ele afirma que o anti-petismo é muito forte na sua região.

“Nosso adversário aqui é o PT. Por isso uma aliança com eles não funciona”, afirmou Schirmer ao iG . “Não adianta ficar com esse negócio de dois palanques”, completou.

O pré-candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul é José Fogaça, que renunciou ao cargo prefeito de Porto Alegre. O PT já lançou o ex-ministro Tarso Genro (Justiça). Eles tentam evitar a reeleição da governadora Yeda Crusius (PSDB).

Como o PMDB não tem candidato à Presidência, Dilma e Serra querem o apoio de Fogaça, que seria o segundo palanque de um dos dois. Nas duas últimas eleições, o PMDB apoiou Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006.

“Eu fiz as duas campanhas ao lado dos tucanos. Ainda vou esperar a decisão do partido, mas minha tendência é ficar com o Serra”, disse o deputado Osmar Terra (PMDB-RS). Ele é ex-prefeito de Santa Rosa, segundo município a ser visitado por Serra nesta terça.

Em Santa Rosa, Serra irá comparecer à Fenasoja (Feira Nacional da Soja). “Santa Rosa é a primeira cidade do país onde a soja foi plantada”, disse Terra. Por isso, na região, há muito resistência com o MST (Movimento Sem Terra), que costuma apoiar o PT.

Além de Cezer Schirmer e Osmar Terra, outro aliado de José Serra no PMDB do Rio Grande do Sul é o prefeito de Caxias do Sul, Ivo Sartori. Os três já se reuniram com Serra este ano em Caxias _segunda cidade mais populosa do Estado.

PMDB pró-Dilma

Apesar do histórico favorável ao tucano em relação ao PMDB gaúcho, PT e Dilma iniciaram, nos últimos meses, uma aproximação com Fogaça por intermédio do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS).

Ribeiro foi relator do Orçamento em 2009 e ampliou seu relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao conseguir recursos para o Rio Grande do Sul. Ele é o coordenador geral da campanha de Fogaça.

No começo do ano, Ribeiro chegou a declarar apoio à Dilma. Diante das resistências do PMDB gaúcho à aliança com o PT, ele mudou o discurso e passou a defender a candidatura própria à Presidência da República.

“Tenho defendido a unidade em torno do Fogaça. Enquanto a questão nacional esteve em discussão, eu dei opinião. Até o fim de junho, vou trabalhar pela candidatura própria”, afirmou Ribeiro.

O presidente do PMDB gaúcho é o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Ele sempre foi crítico ao governo Lula, mas já disse que poderá Dilma caso o partido não tenha candidato próprio.

No Rio Grande do Sul, o PMDB comanda 140 prefeituras. Só é superado pelo PP, que detém 149. No Estado, os pepistas devem ficar com a vaga de vice na chapa Yeda Crusius, que enfrenta diversas denúncias de corrupção desde o inicio do seu governo.

Um dos coordenadores campanha de Yeda, o deputado estadual Nelson Marchezan Júnior não vê problemas na aproximação de Serra com o PMDB. “Aqui somos todos contra o PT. Se o PMDB ficar dividido, sairá perdendo”, disse.

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