Serra trabalha por prévias para se manter no páreo para 2014

Ex-governador se empenha em manter aberta porta para disputar com Aécio Neves indicação para concorrer à Presidência

Nara Alves, iG São Paulo |

O presidente do Conselho Político do PSDB, ex-governador de São Paulo José Serra , aposta na realização obrigatória de prévias internas no partido como forma de manter a porta aberta para se tornar novamente o candidato tucano na corrida presidencial de 2014. Ao contrário de 2010, quando era contrário à consulta a filiados, Serra agora conta com o ativo de 43 milhões de votos conquistados nas últimas eleições para tentar derrotar o senador tucano mineiro Aécio Neves , que agora tem posição de vantagem na disputa pela indicação à vaga.

AE
Embora avaliação do comando do partido avalie que Aécio larga em vantagem, Serra age para manter porta aberta a uma eventual candidatura presidencial
Enquanto Aécio se movimenta para consolidar uma estrutura partidária forte em Minas Gerais – maior colégio eleitoral do País depois de São Paulo – Serra trabalha para tentar garantir a realização de prévias já em 2012. Para isso, o ex-governador paulista encontra respaldo em iniciativas do presidente do PSDB-SP, deputado Pedro Tobias, do presidente do PSDB paulistano, secretário Júlio Semeghini , ligado ao governador Geraldo Alckmin, e do líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

Na primeira reunião realizada em Brasília com presidentes de diretórios estaduais após a convenção nacional da sigla, o diretório de São Paulo apresentou uma proposta de reforma estatutária. “Um dos itens da proposta prevê a obrigatoriedade de prévias nas eleições municipais, estaduais e nacionais em caso de não haver consenso em torno de um único nome”, diz Tobias. O PSDB, contudo, enfrentou tradicionalmente dificuldades de chegar a um consenso tratando-se da disputa ao Palácio do Planalto.

Caso a maioria dos diretórios estaduais considere adotar as prévias, a proposta deverá ser levada pelo diretório nacional ao Conselho Político. Antes de aceitar a nomeação no Conselho, Serra chegou a . A ameaça deu certo e o partido ampliou as atribuições do órgão, que influenciará nas decisões da sigla em pontos que costumam despertar polêmica internamente, como fusões com outras legendas e métodos de escolha de candidatos. Com isso, aumentam as chances de o PSDB adotar a consulta às bases e de Serra ser içado à condição de presidenciável.

Se for aprovada pelo diretório nacional, a proposta de escolher candidatos a partir de consultas primárias obrigatórias beneficiaria Serra na disputa com Aécio para 2014 e, ao mesmo tempo, o pressionaria a declarar se será candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012. Para o presidente do PSDB-SP, a pressão sobre Serra é positiva para o partido.

“Se depender da minha vontade, Serra lança candidatura para a Prefeitura de São Paulo até novembro, no máximo. A gente pressiona, mas não interfere”, afirmou Tobias. Para o deputado, se Serra decidir concorrer novamente à prefeitura, ele não poderá concorrer à Presidência. “Ele não pode sair do cargo como da outra vez. É isso que está pesando na cabeça dele agora”, disse. De 2004 a 2006, Serra foi prefeito da capital paulista, mas saiu do cargo para disputar o governo do Estado, quebrando uma promessa de concluir o mandato, que fez durante a campanha e registrou em cartório.

Proposta no Senado

No Congresso, a proposta de eleição primária no âmbito partidário para a escolha do candidato a Presidente da República foi apresentada pelo líder tucano no Senado, Alvaro Dias. O senador argumenta que as primárias fortaleceriam o PSDB ao amenizar as disputas fratricidas, principalmente entre São Paulo e Minas Gerais.

“A proposta reduz o poder das cúpulas partidárias que, muitas vezes, fazem essa escolha mediante barganhas ou acordos espúrios”, afirma Dias. Pela proposta do senador, os partidos não estariam obrigados a realizar as prévias, mas contariam com a assistência da Justiça Eleitoral para organizar e fiscalizar o processo.

O modelo que serviu de exemplo, segundo o tucano, é o dos Estados Unidos. “É evidente que nós teríamos que adotar um modelo próprio, teríamos que ousar e certamente não deveríamos nos preocupar com o índice de participação popular nessas primárias, e sim com o debate que isso promoveria”, descreve Dias, no documento apresentado. Há, no entanto, obstáculos jurídicos para a aprovação da proposta do senador. Isso porque a própria Justiça Eleitoral poderia interpretar a eleição primária como campanha eleitoral antecipada.

Até mesmo o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), reeleito para o cargo com o apoio de Aécio, ressalta a dificuldade de aprovação da proposta apresentada pelo senador tucano. Para Guerra, se as primárias não puderem ser divulgadas sob pena de multa por campanha antecipada, não há como realizá-las na escala desejada pelo projeto tucano.

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