Serra nega ter sido alertado sobre venda de emendas na Assembleia

Em palestra em São Paulo, ex-governador também criticou as declarações de Dilma Rousseff na Europa

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) negou nesta sexta-feira ter sido alertado pelo deputado estadual Roque Barbiere (PTB) sobre um suposto esquema de desvio de dinheiro de emendas parlamentares na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Na quinta-feira Barbiere afirmou por escrito ao Conselho de Ética da Alesp ter alertado o governo por meio de um ofício protocolado no dia 22 de dezembro do ano passado junto à Casa Civil, nos últimos dias do mandato de Alberto Goldman, vice de Serra.

AE
José Serra:“Não houve nenhum alerta. Ele pediu informações sobre emendas, só isso."

“Não houve nenhum alerta. Ele pediu informações sobre emendas, só isso. É um pedido de informações que veio por uma via heterodoxa pois em geral um deputado manda para a mesa (da Alesp) a mesa manda para o governo e o governo responde. O que chegou foi uma carta pedindo informações mas nenhuma denúncia. No dia 22 é óbvio que não dava tempo. Era véspera de Natal com o governo terminando”, disse Serra.

O ex-governador ironizou a comparação feita pelo líder do PTB, Campos Machado, entre Barbiere e o ex-deputado petebista Roberto Jefferson, que delatou o escândalo do mensalão.

“Eles não se parecem, né?”, respondeu Serra, depois de uma palestra sobre economia a lideranças da Força Sindical.

Governo Dilma

Além disso, Serra acusou o governo da presidenta Dilma Rousseff de superestimar o potencial de danos da crise econômica mundial com o objetivo de ganhar solidariedade interna para medidas polêmicas como o aumento da carga tributária.

Serra ainda criticou Dilma por dar palpites a respeito da economia internacional durante sua viagem pela Europa . “O governo exagera no impacto da crise para ter mais solidariedade interna. Depois a presidente vai lá dar palpite e mostra que está por fora da realidade européia”, afirmou.

Ele próprio, no entanto, não se poupou de dar palpites sobre a economia internacional. Segundo Serra, a crise dos EUA não se resolve antes das eleições presidenciais, dentro de um ano e meio. Já na Europa a solução deve demorar mais. “A adoção da moeda única foi o maior erro da política econômica do mundo. Para ter uma moeda única seria preciso uma política fiscal única e um tesouro únco”.

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