Serra critica patamar dos juros brasileiros

Sem poupar o governo de Fernando Henrique Cardoso, o pré-candidato tucano criticou a elevação dos juros

Marcelo Diego, enviado a Ribeirão Preto (SP) |

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou o patamar dos juros brasileiros e não resguardou nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu colega de partido. “Se for eleito presidente, vou me debruçar pessoalmente em tentar entender a razão pela qual entra governo, sai governo e o País continua tendo a maior taxa de juros do mundo”.

O tucano disse que a decisão do Banco Central (BC), de elevar a taxa básica de juros para 9,75% ao ano -elevação de 0,75 ponto percentual-, foi tomada baseada em critérios técnicos, mas qualificou o patamar de “excessivamente altos”.

As declarações foram dadas durante visita na tarde desta quinta-feira à Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), que acontece desde segunda-feira em Ribeirão Preto. É a principal feira do setor agropecurário realizado no País, com 730 expositores e giro de negócios próximo a R$ 1 bilhão.

Serra percorreu os estandes da exposição cerca de três horas depois da partida da pré-candidata Dilma Rousseff (PT), que, mais cedo, no mesmo local, havia defendido o aumento dos juros como sinal da maior responsabilidade do governo federal.

AE
Geraldo Alckmin e José Serra fazem corpo a corpo em Ribeirão Preto

Em declarações entendidas como um recado ao setor financeiro, Serra disse que um futuro governo seu iria privilegiar a produção. “Produção é a base da riqueza do país. E a agricultura tem sido a nossa galinha dos ovos de ouro. Serve para segurar o desequilíbrio na balança de pagamentos e impede a alta da inflação. A produção vem dando conta do aumento da demanda no País”, afirmou o pré-candidato.

A exemplo de Dilma Rousseff, o pré-candidato tucano fez uma série de sinalizações para o setor agropecuário, responsável por quase 1/3 do total de riquezas produzidos pelo país e uma das fatias produtivas que mais empregam mão-de-obra.

Defendeu, por exemplo, uma ação mais incisiva contra as barreiras comerciais praticadas sobre produtos brasileiros no exterior. “A União Européia predica o livre comércio, mas não o pratica. Temos ainda o problema do etanol nos EUA. Nem no Mercosul conseguimos vender açúcar livremente”, afirmou, declarando ser necessário aumentar o escopo de acordos bilaterais assinados pelo Brasil, a fim de ganhar mais mercado.

Defendeu também a securitização da safra (“temos que ter um campo seguro”) e o fim do subsídio governamental para movimentos sociais ligados aos sem-terra. “Movimento social é uma coisa, movimento político é outro. Não podemos alimentar esta máquina política com dinheiro público”, declarou, recebendo aplausos dos produtores rurais presentes.

Usando exemplos de sua gestão, Serra defendeu mais recursos para a infra-estrutura, como forma de diminuir os efeitos do chamado “custo Brasil”. E disse ser necessária uma reforma tributária, mas admitiu que é difícil conciliar interesses diversos. “Cada um tem sua idéia de reforma tributária”, declarou.

O pré-candidato estava acompanhado de 30 prefeitos da região, de deputados e do pré-candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin.

    Leia tudo sobre: AgrishowJosé SerraGeraldo Alckmin

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG