Senadores negam ocupar ala com nome de militar ditador

Acusado de prisões arbitrárias e torturas, o militar Filinto Muller foi chefe da polícia política do governo de Getúlio Vargas

Agência Brasil |

A maior parte dos senadores eleitos – e que tomarão posse em fevereiro – não quer ocupar gabinetes na Ala Filinto Muller, no Senado. O impasse foi discutido em reunião da Mesa Diretora hoje (9), mas não foi resolvido.

“Alguns não admitem em hipótese nenhuma ir para lá. Seja por superstição ou por ideologia”, disse o primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). “Os gabinetes lá são grandes, mas, talvez eles não queiram ir para lá por causa da distância”, completou.

O militar Filinto Muller foi chefe da polícia política do governo de Getúlio Vargas e acusado de prisões arbitrárias e torturas. Foi um dos responsáveis pela entrega da judia militante comunista Olga Benário à Alemanha. Ela, que era esposa de Luís Carlos Prestes, foi executada em Bernburg, em 1942.

A falta de senadores para ocupar a Ala Fillinto Muller sobrecarrega outras partes do Senado, onde também estão instalados gabinetes. “Temos uma distorção aqui no Senado. Alguns tem 30 metros quadrados (m2), outros tem 60 (m2). É algo que precisamos resolver”, explicou Heráclito.

O senador disse que continua, também, o impasse quanto ao possível aumento no subsídio pago aos senadores. A Casa não pode reajustar valores pagos a menos de 90 dias do fim da legislatura, segundo Heráclito. “Que querem aumento, querem. O problema é como. É uma decisão que tem de ser tomada pelos presidentes da Câmara e do Senado, nesta legislatura, para ter efeito na próxima”, disse.

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