Senadores do PR apoiam Passos e entram em crise com deputados

Líder do PR no Senado aceita manutenção de ministro interino. Sob influência de Costa Neto, líder da Câmara é contra ideia

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Líder do PR, senador Magno Malta já aceita manutenção de interino
A crise no Ministério dos Transportes rachou o PR. As bancadas do partido na Câmara e no Senado começaram a divergir sobre o substituto de Alfredo Nascimento, demitido na quarta-feira passada. Enquanto os senadores já aceitam tornar titular da pasta o ministro interino Paulo Sérgio Passos, os deputados fazem ameaças contra o governo se ele for efetivado pela presidenta Dilma Rousseff.

O movimento contra Passos é capitaneado, sobretudo, pelo deputado Valdemar Costa Neto (SP), secretário-geral do PR e principal cacique na estrutura do partido. Ele conta com o apoio de Alfredo Nascimento, que, apesar de ser senador, está neste momento mais em sintonia com a Câmara. Excluídos das negociações sobre os Transportes, os dois ensaiam uma rebelião contra Dilma. Os deputados esperam se reunir com a presidenta ainda esta semana para resolver o caso.

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), é quem tem dado voz à irritação de Valdemar e Nascimento. Na semana passada, ele já havia dito o seguinte sobre Passos: “não era uma questão de resistência (a ele ), mas sim de preferência ( por outros )". Portela tentou lançar mais nomes para a pasta para tentar inviabilizar a consolidação do atual ministro interino.

Na contramão, o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), deu sinais favoráveis à manutenção de Paulo Passos. “Aqui no Senado nós já decidimos que vamos apoiar que ele fique na pasta”, contou um senador do PR. Em licença do Senado para tratamento de saúde., o senador João Ribeiro (PR-TO) também disse a amigos ser a favor da manutenção de Paulo Passos nos Transportes.

Crise

A crise no PR teve início no começo da semana passada após publicação de reportagem de Veja . Segundo a revista semanal, havia um esquema de pagamento de propina no ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infra Estrutura de Transportes (Dnit).

O caso provocou, em princípio, os afastamentos de assessores diretos de Nascimento e a saída do então diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que havia sido indicado para o cargo pelo senador Blairo Maggi (PR-MT). O matogrossense criticou a decisão do governo em afastar Pagot.

Na quarta-feira, Nascimento acabou se demitindo diante das novas denúncias envolvendo ele e familiares. De imediato, Dilma anunciou Paulo Passos como ministro interino e convidou Blairo Maggi para ficar com a pasta. O senador, porém, não aceitou a proposta.

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