Senador tucano também retira assinatura da CPI dos Transportes

Ataídes Oliveira (PSDB-TO), suplente de João Ribeiro, filiado ao PR, partido que comanda a pasta, retirou seu apoio hoje

Reuters |

A tentativa da oposição de criar uma CPI para investigar denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes sofreu um golpe inesperado nesta quarta-feira quando um senador do PSDB decidiu retirar sua assinatura do requerimento que pede a instalação da comissão. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) pediu nesta manhã a retirada de seu apoio à CPI dos Transportes, informou a Agência Senado.

Ataídes Oliveira está no Senado como suplente do senador João Ribeiro, que é filiado ao PR, partido que comanda o Ministério dos Transportes. A legenda seria a principal beneficiada por um suposto esquema de arrecadação de propinas na pasta.

Agência Senado
Ataídes Oliveira assumiu uma cadeira no Senado como suplente de parlamentar do PR

O senador tucano é a segunda baixa na lista de apoiadores da CPI dos Transportes. Na noite de terça-feira, o senador João Durval (PDT-BA) já havia retirado sua assinatura do requerimento.

A iniciativa de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Ministério dos Transportes foi tomada pelo líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), na noite de terça-feira. Na ocasião, o tucano afirmou não acreditar na retirada de assinaturas, mas o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), disse a jornalistas que conversaria com membros da base aliada que assinaram o documento para discutir a possível retirada de apoios à CPI.

A retirada de assinaturas para criação de uma CPI é permitida pelo regimento do Senado até a meia-noite do dia em que o requerimento que pede a instalação da comissão é lido no plenário da Casa. Havia expectativa de que o requerimento com as 27 assinaturas protocolado na terça-feira por Dias fosse lido nesta quarta-feira.

As denúncias no Ministério dos Transportes levaram à queda do ex-ministro Alfredo Nascimento, que na terça-feira reassumiu seu mandato de senador pelo PR do Amazonas. Desde a divulgação de que haveria um esquema de arrecadação de propinas para o PR nos Transportes, mais de 20 servidores foram afastados ou demitidos do ministério ou de órgãos ligados a ele.

A "faxina" promovida pela presidente Dilma Rousseff na pasta irritou integrantes do PR, que passaram a cobrar da presidente o mesmo tratamento que deu à legenda nos demais casos de corrupção envolvendo outros ministérios.

(Por Eduardo Simões)

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