Sem sinais de Dilma, aliados tentam garantir pastas que possuem

Partidos que já ocupam ministérios temem avanço de siglas que cresceram na eleição, como o PSB

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Diante da falta de sinais da presidenta eleita Dilma Rousseff sobre a formação do ministério, a maioria dos partidos da base aliada trabalhou até agora para manter o espaço que já detêm no governo atual. O objetivo também é evitar que siglas que tiveram crescimento na última eleição, como o PSB por exemplo, avancem sobre postos já ocupados.

Ao viajar para a Coreia do Sul, onde participa da reunião dos 20 países mais ricos do mundo (G-20) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma buscou mais tranquilidade para definir a formação do seu ministério. O afastamento, no entanto, acabou gerando dúvidas para os partidos aliados. Por isso a maioria preferiu lutar pelas vagas que possuem.

O iG apurou que integrantes do PMDB, do PR e do PP tiveram conversas informais sobre o ministérios. Juntos os partidos decidiram que não vão reivindicar pastas um dos outros. O senador eleito Blairo Maggi (PR-MT) garantiu ao PMDB que não irá pleitear o Ministério da Agricultura, atualmente comandado pelo peemedebista Wagner Rossi.

Por outro lado, Maggi quer garantir que não haverá assédio sobre o Ministério dos Transportes. A pasta é da cota do PR (partido que se originou do PL) desde o início do governo Lula. Antes da eleição, o ministério estava sob o comando do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que se afastou para disputar o governo do Amazonas.

Além de Maggi e Nascimento, o principal articulador do partido é o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Nesta quarta-feira, ele e o senador amazonense estiveram com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, para dizer o mesmo que Temer e o PP. “Não se mexe em time que está ganhando”, resumiu Nascimento na saída do encontro.

O PMDB foi o primeiro a reivindicar a manutenção das seis pastas que possui. Na conta, o vice-presidente eleito Michel Temer incluiu o Banco Central, cujo presidente Henrique Meirelles é filiado ao PMDB. Ele, porém, foi nomeado para o cargo quando ainda não era filiado ao partido.

Como o iG informou nesta terça-feira, o PMDB prioriza a manutenção das pastas da Agricultura, com Wagner Rossi, e de Minas e Energia. Nessa última, o partido tenta emplacar a volta do senador Edison Lobão (PMDB-MA) ao cargo. As demais pastas da cota peemedebista são Comunicações, Integração Nacional e Saúde - nas três deve haver mudanças.

O PP também trabalha para garantir o que já tem: o Ministério das Cidades e a diretoria de Abastecimento da Petrobras. O partido deseja, no entanto, trocar o ministro Márcio Fortes por um representante da bancada na Câmara. Nesse caso, o nome mais forte é do deputado Mário Negromonte (PP-BA).

Dividido em alas e correntes, setores do PT também tentam garantir seu espaço. “Minha corrente, que é a Articulação de Esquerda, já pediu a manutenção do Ministério da Pesca”, afirmou o ministro Altemir Gregolin. Dentro do PT, a ala com mais força é a Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual faz parte, por exemplo, o deputado Antonio Palocci (PT).

Presidente do PT e coordenador político da equipe de transição para o governo Dilma, José Eduardo Dutra disse, no entanto, que “nenhum ministério é propriedade de ninguém”. “Vai ser formado um novo governo e a presidenta é que vai decidir se vai optar por continuar a ocupação do espaço nos moldes do governo [atual] ou se vai propor modificações”, afirmou, após finalizar a série de conversas com lideranças dos partidos aliados.

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