Sem Rodrigo Maia, DEM decide renovar comando partidário

Partido decidiu, em reunião em Brasília, renovar comandos nas esferas municipal, estadual e nacional; plano é afastar Rodrigo Maia

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A Executiva Nacional do DEM decidiu nesta terça-feira convocar eleições para os diretórios municipais, estaduais e nacional. O principal objetivo, porém, é retirar o atual presidente Rodrigo Maia do comando do partido. Com mandato até dezembro de 2011, ele faltou ao encontro, o que foi interpretado pelos presentes como uma tentativa de esvaziar a reunião realizada na sede da sigla em Brasília.

O encontro acabou servindo, sobretudo, para o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen dar a sua versão sobre as negociações de uma possível fusão com o PMDB. O maior defensor da ideia é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Desde 2004, ele e Bornhausen atuam politicamente de forma conjunta - Bornhausen foi, por exemplo, o fiador do nome de Kassab como vice de José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

“Isso é uma batalha de Itararé”, disse Bornhausen, referindo-se ao conflito que nunca ocorreu entre paulistas e as tropas federais durante Revolução Constitucionalista de 1932. “Estão promovendo uma batalha verbal a partir de uma hipótese (a fusão com o PMDB)”, completou o ex-presidente do DEM.

A declaração foi feita ainda durante a reunião sem a presença Rodrigo Maia. Segundo o iG apurou, o deputado do DEM-RJ havia marcado presença no encontro. Porém, nesta segunda-feira, desmarcou. Maia disse que acompanharia um grupo de novos deputados do DEM a Washington, nos EUA.

Principais aliados de Maia no momento, os deputados ACM Neto (DEM-BA) e Ronaldo Caiado (DEM-GO). Um vice-presidente do DEM, esse último avisou que estava doente, por isso não poderia comparecer. A reunião acabou sendo comandada pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), outro vice-presidente do partido.

Programação
Depois de tentar enterrar a tese de fusão, Bornhausen pediu a convocação de novas eleições. O assunto foi aprovado pelos presentes por unanimidade. Foi decidido que, no próximo dia 8, os líderes do partido no Congresso, Paulo Bornhausen (Câmara) e José Agripino (Senado), irão criar um plano de ação e definir as datas.

“Foi unânime. A gente precisa revitalizar o partido e se preparar para as eleições de 2012”, disse Bornhausen. Sobre Rodrigo Maia, ele lembrou que o mandato dele está vigente por prorrogação (ocorrida em outubro). “Agora, haverá apenas uma adequação”, disse.

Candidato a vice na chapa derrotada de José Serra (PSDB), o deputado Indio da Costa (DEM-RJ) defendeu que o partido seja “mais combativo na oposição”. “Se tivéssemos atuado desta forma o nosso resultado teria sido melhor”, disse Indio, durante a reunião.

Apesar de ter sido escalado para realizar o plano de ação para a nova eleição, o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), não estava presente na reunião. Ele está em viagem no exterior. Agripino é um dos nomes cotados para substituir Maia na presidência do DEM

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