Sem quórum, reunião que poderia convocar Palocci é cancelada

Oposição tentaria votar novo requerimento de convocação do ministro na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle

iG São Paulo |

A oposição se viu frustrada em mais uma tentativa de votar o requerimento para a convocação do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Por falta de quórum, a reunião na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFF) da Câmara dos Deputados foi cancelada meia hora depois do horário de início, quando apenas deputados do DEM e do PSDB haviam registrado presença. Para abrir a sessão, são necessárias as assinaturas de, no mínimo, dez integrantes.

"Estão blindando Palocci. A sociedade, mais uma vez, ficou sem a explicação sobre o homem mais falado nos dias de hoje", afirmou o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). Durante meia hora de espera, entre o horário previsto para o início e o cancelamento da reunião, seis deputados oposicionistas registraram presença. Nem mesmo o presidente da comissão, Sérgio Brito (PSC-BA), registrou presença.

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O líderes Alvaro Dias (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM) observam o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), após o cancelamento da sessão
O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), afirmou que o presidente da comissão se comprometeu em colocar em votação o requerimento pedindo a convocação de Palocci na reunião de amanhã, às 10 horas. "A comissão não vai funcionar mais, enquanto o requerimento não for votado", afirmou ACM Neto.

O DEM apresentou o requerimento de convocação de Palocci na semana passada, quando o governo, na mesma operação de impedir a presença do ministro nas comissões, conseguiu o cancelamento da reunião.

Faturamento alto

Na representação encaminhada hoje à Procuradoria-Geral da República pelos líderes dos partidos de oposição no Senado e pelo dissidente do PMDB, senador Jarbas Vasconcelos (PE), os parlamentares mostram a "disparidade" entre os ganhos da empresa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a Projeto Consultoria Financeira Econômica Ltda., e os ganhos de outras consultorias econômicas do País.
A oposição chama a atenção para um para um suposto tráfico de influência por conta do alto valor dos serviços prestados "pois é evidente que as empresas não contratavam do ministro os serviços usuais e cotidianos prestados no mercado de consultoria".

No documento encaminhado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, os parlamentares lembram que nenhum profissional especializado na área, consultado pela imprensa, jamais ouviu falar da atuação da empresa do ministro em nenhum segmento do mercado. Lembram ainda que o procedimento rotineiro na área de consultoria, de cobrar taxas em torno de R$ 6 mil mensais pelo fornecimento de relatórios macroeconômicos, "com análise e projeções de inflação, PIB (Produto Interno Bruto) e câmbio", inviabiliza as justificativas do ministro para explicar o seu rápido enriquecimento.

* Com informações da Agência Estado

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