Sem Palocci e sem DEM, Kassab se isola em esforço para criar PSD

Desde anúncio de novo partido, prefeito de São Paulo coleciona inimizades, no que adversários descrevem como 'enxurrada de erros políticos'

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Protagonista do que adversários descrevem como uma “enxurrada de erros políticos”, o prefeito paulistano Gilberto Kassab se vê cada vez mais isolado em meio à corrida para fundar o PSD . Depois de azedar a relação com setores da oposição por buscar uma aproximação com a presidenta Dilma Rousseff, Kassab viu sua situação se agravar durante a crise que derrubou o ex-ministro Antonio Palocci e agora vive um cenário ainda mais complicado com a ruptura dos últimos elos que mantinha com o DEM.

Desde que anunciou que deixaria seu partido para criar o PSD, Kassab tem colecionado inimizades e desavenças. Vive às turras com o grupo tucano ligado ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; enfrenta rejeição de setores do DEM paulistano que se recusaram a migrar para PSD; e discutiu em público com o deputado Gabriel Chalita, hoje presidente estadual do PMDB.

Cada vez mais irritado com as dificuldades para tirar seu novo partido do papel a tempo de disputar as próximas eleições, Kassab invadiu o gabinete do secretário estadual Rodrigo Garcia (DEM) na última quarta-feira, ameaçando aos gritos “acabar” com o antigo aliado.

Segundo fontes ligadas a Kassab e ao PT, o prefeito se escorava na aproximação do PSD com o governo Dilma Rousseff. Seu principal interlocutor junto a Dilma era Palocci, que trabalhava a favor da criação do novo partido, com o objetivo de atrair parte da oposição no Congresso para a base governista. De acordo com petistas, o ex-ministro esteve pelo menos três vezes em São Paulo para articular a criação do PSD e abrir caminho para posterior aproximação da sigla com o governo. Entre outras coisas, ele teria prometido uma das vice-lideranças do governo na Câmara para os aliados de Kassab.

Com a queda de Palocci, o prefeito perdeu o canal com o governo. Vereadores da base kassabista alegam que uma das explicações para o comportamento destemperado de Kassab seria o fato de Garcia e o ex-secretário de governo Alexandre de Moraes (DEM) terem aproveitado o momento de distanciamento com o Planalto para tentar minar a viabilização do PSD. Pela versão dos vereadores, ambos teriam municiado a direção nacional do DEM com informações sobre ilegalidades na coleta das 500 mil assinaturas necessárias para o registro do novo partido. “Rodrigo aproveitou o vácuo deixado pelo Palocci para atacar”, disse um vereador ligado ao prefeito.

Segundo esse vereador, na discussão de quarta-feira, Garcia teria tentado se defender dizendo que as informações sobre uso da máquina municipal para coleta de assinaturas de apoio ao PSD, assim como a revelação feita pelo iG de que até mortos assinaram fichas de criação da sigla , teriam partido da direção nacional do DEM. “Eu sei que foram vocês (Garcia e Moraes)", respondeu Kassab, segundo relatos.

Reação

Nesta sexta-feira, diante da repercussão provocada pelas notícias sobre a briga e as ameaças que teriam sido feitas pelo prefeito – Kassab teria dito a Garcia frases como “ Eu sei de todos os seus podres ” -, o secretário procurou vereadores da base kassabista para buscar uma pacificação. As respostas foram negativas. “Quem é louco de se meter nessa briga? Os dois se conhecem há décadas e estão com as metralhadoras carregadas. Vão acabar se matando”, disse ao iG um vereador.

A notícia também provocou um distanciamento ainda maior do grupo de Alckmin em relação ao prefeito. Os dois já acumulavam desafetos desde a eleição municipal de 2008, quando disputaram a prefeitura paulistana. “O Alckmin sabe muito bem que o melhor a fazer agora é ficar bem longe dessa história”, disse um tucano ligado ao governador.

Ainda antes da queda de Palocci, Kassab buscou aproximação com o PT. Quinze dias atrás o prefeito recebeu o presidente do partido, Rui Falcão, para uma conversa em sua casa. Na ocasião, acenou com ofertas de aliança no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2012, apoio na coleta de assinaturas para instalação de CPIs contra o governo Alckmin na Assembleia Legislativa de São Paulo, ajuda para provar que o sigilo fiscal de Palocci teria sido violado na Secretaria Municipal da Fazenda e até com o apoio ao PT em uma eventual disputa entre Dilma e Aécio Neves (PSDB) em 2014.

Falcão, que integra o PT paulistano e faz forte oposição à prefeitura, não deu sinais de sensibilização.
Segundo pessoas próximas, Kassab agora aposta todas suas fichas na proximidade entre o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, seu sócio na criação do PSD, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Embora tenham se enfrentado na disputa pelo governo catarinense no ano passado, Colombo e Ideli têm uma boa relação e chegaram a se encontrar em Florianópolis em janeiro deste ano, quando a petista ainda era a ministra da Pesca.

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