Sem Covas, conselho tentará reconvocar Roque Barbiere

Solicitado a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa, secretário diz que não irá por falta de data no convite

Nara Alves, iG São Paulo |

O secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, avisou nesta segunda-feira que não irá comparecer à reunião do Conselho de Ética desta terça-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

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Deputado licenciado e pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Covas era esperado para esclarecer as declarações que deu ao jornal O Estado de S.Paulo em que disse que um prefeito lhe ofereceu propina após a aprovação de uma emenda . As declarações do tucano reforçam as denúncias feitas pelo deputado Roque Barbiere (PTB) de que parlamentares estariam vendendo emendas na Alesp.

Divilgação
O deputado Bruno Covas
A ausência do secretário no Conselho de Ética foi justificada com a falta de uma data no convite enviado pela Assembleia. Bruno Covas, que participou do lançamento da pré-candidatura do secretário José Aníbal (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, evitou comentar a ausência.. "Hoje a festa é do Zé Aníbal", limitou-se a dizer.

Para o deputado Cauê Macris (PSDB), membro do Conselho de Ética, Bruno Covas tem o mesmo direito de Barbiere, que se ausentou da reunião para a qual foi convocado. "Ele também pode enviar um documento por escrito, como fez o Roque Barbiere", disse. Segundo a assessoria de imprensa de Bruno Covas, no entanto, nenhum documento foi preparado para ser protocolado na Assembleia.

De acordo com Macris, a base do governo Geraldo Alckmin (PSDB) está estudando mecanismos para a reconvocação de Barbiere. "Se você faz acusações e depois não as explica você pode se tornar acusado por quebra de decoro parlamentar", afirma. A base de Alckmin pode encontrar respaldo até mesmo na oposição, que não ficou satisfeita com as explicações enviadas por Barbiere e pretende pedir uma nova convocação.

O líder do PT na Alesp, deputado Enio Tatto, defende que além da reconvocação seja criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades. O PT tem 28 assinaturas, mas precisa de mais quatro para protocolar o pedido de abertura da CPI. A base de Alckmin tenta evitar a criação da comissão.

Eleições 2012

A pressão da oposição em cima do secretário Bruno Covas e, especialmente, a forma como o pré-candidato responde à polêmica em torno de seu nome podem influenciar na escolha interna do partido, segundo tucanos que acompanham o processo de prévias em São Paulo.

O secretário José Aníbal, contudo, nega que a polêmica prejudique a pré-candidatura de Bruno Covas. "Bruno é um político jovem, mas íntegro. Teve a melhor escola familiar (a do ex-governador Mário Covas, avô de Bruno). Bruno saberá explicar", afirmou.

Além de Covas e Aníbal, colocaram-se na disputa do PSDB o deputado Ricardo Trípoli e o secretário Andrea Matarazzo. O ex-governador José Serra, também cotado, tem dito que não irá concorrer em 2012.

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