Presidenta enfrentou duas derrotas internas no partido desde que assumiu o cargo; para petistas, Dilma não tem grupo com força

No governo federal, a presidenta Dilma Rousseff  acompanha de perto as negociações e dá a palavra final nas nomeações de cargos dos 37 ministérios da Esplanada. Os titulares da pasta e assessores que se reúnem diariamente com Dilma no Planalto são unânimes ao relatar que não há indicação aprovada sem o aval da presidenta. Mas, no PT, a realidade é outra.  Sem força interna no próprio partido, a presidenta enfrenta dificuldades desde a sua eleição para emplacar nomes e acumula derrotas em indicações de favoritos para postos-chaves.

Após ser eleita, Dilma foi derrotada em seu primeiro teste de força com os insatisfeitos do PT, com a negociação em torno da presidência da Câmara. Candidato preferido por Dilma para ser este interlocutor, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, não convenceu a bancada e perdeu o posto para Marco Maia (RS), eleito em fevereiro. Nos bastidores, parlamentares petistas admitem que o patrocínio à candidatura de Maia foi uma resposta ao Planalto pela falta de espaço do partido em cargos na Esplanada.

Dilma Rousseff: presidenta sofre para aprovar petistas prediletos em cargos importantes
Agência Estado
Dilma Rousseff: presidenta sofre para aprovar petistas prediletos em cargos importantes

“Dilma tem essa falsa impressão de que o Vaccarezza era o nome com mais trânsito entre a bancada, mas não era. Por isso escolhemos Maia e estamos sintonizados com Dilma e Lula”, afirma o deputado federal Ricardo Berzoini, um dos articuladores da campanha de Maia para o comando da Câmara. Ontem, no entanto, Maia mostrou que está disposto a contrariar os interesses do primeiro escalão governista. “Aqui não votamos nada apenas ou exclusivamente por pedido do Palácio e um acordo das lideranças partidárias”, afirmou Maia, ao ser questionado sobre o adiamento do projeto do Código Florestal.

Passados três meses, o segundo recado do PT a Dilma veio na última sexta-feira, durante a escolha do novo presidente do partido. Com a saída de José Eduardo Dutra, Dilma queria emplacar o senador Humberto Costa (PE) na vaga, mas perdeu novamente. Costa resistiu e disse que preferia continuar na liderança do Senado. Na véspera da votação, o partido fechou o nome do deputado estadual Rui Falcão para a presidência do PT. Só após ver a articulação pelo nome de Costa cair por terra é que Dilma  telefonou para Rui.

“Fui informada de que você foi indicado para ser novo presidente do PT e, se você aceitar, saiba que tem todo o meu apoio”, afirmou a presidenta.

“Costa não se impôs, precisava se colocar como candidato e isso não aconteceu. Como Dilma não tem porta-voz nem grupo dentro do partido, nós decidimos e comunicamos a decisão ”, relatou um membro do Diretório Nacional . “Ela tem a turma petista dela- mas levou todo mundo para a Esplanada”, brinca o petista.

Na campanha, Dilma demarcou a sua cota pessoal petista. Amiga desde a adolescência de Fernando Pimentel, a presidenta o escalou para coordenar a campanha, mas o mineiro ficou desgastado em meio ao episódio envolvendo um suposto dossiê contra adversários do PSDB. Além de Pimentel, a presidenta contou com os petistas do Rio Grande do Sul Giles Azevedo, Anderson Dorneles e Alessandro Teixeira. Hoje, todo o núcleo de confiança de Dilma ocupa cargos no governo federal: Pimentel é ministro do Desenvolvimento, Anderson é assessor da presidenta, Giles Azevedo foi nomeado chefe de gabinete e Alessandro Teixeira é secretário-executivo de Pimentel.

No PT, Dilma é vista como novata já que é filiada ao partido desde 2000. Para a maioria, a presidenta “furou a fila” da sucessão ao ser escolhida candidata do partido pelo ex-presidente Lula em 2010. De perfil técnico, Dilma sempre manteve distância de articulações políticas - característica que levou para a Presidência. “Dilma é objetiva e evita entrar nestas conversas com parlamentares. Prefere deixar a política para quem gosta de fazer política, como o Palocci”, avalia um ministro petista. 

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