Sem apoio do PSB, Valadares pode ficar fora do ministério

Convidado para a pasta do Turismo, socialista não teve indicação bancaca pela cúpula do partido

Adriano Ceolin e Andréia Sadi, iG Brasília |

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) não tem o apoio do seu partido para assumir o Ministério do Turismo no futuro governo Dilma Rousseff . Se vier a ser nomeado, será como cota do PT a fim de ajudar o presidente nacional petista José Eduardo Dutra (SE) a assumir uma cadeira no Senado - ele é o primeiro suplente de Valadares.

Segundo o iG apurou, Valadares foi convidado a assumir o Turismo. Ele ficou irritado com a divulgação da notícia porque o assunto ainda não havia sido tratado ainda com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

O ideal era que o nome de Valadares fosse bancado pelo partido, o que não ocorreu. Na lista do partido, constam os nomes do deputado federal Márcio França e Fernando Bezerra, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, para assumir pastas no governo.

Campos disse que não trabalha contra Valadares. "Ele é meu amigo, um homem de partido", disse em Brasília, onde esteve na última quinta-feira. No entanto, segundo deputados e senadores, o presidente avalia que pasta do Turismo deveria ser ocupada por alguém com "perfil mais moderno". Valadares foi eleito para seu terceiro mandato no Senado, onde sempre manteve boa relação com José Sarney (PMDB-AP) e Antonio Carlos Magalhães (DEM), ex-senador morto em 2007 .

Agora, o próprio PSB é adversário de Valadares na disputa pela pasta. Em reunião em Brasília nesta quinta-feira, Campos e os governadores petistas Jaques Wagner (Bahia) e Marcelo Déda (Sergipe) incluíram o Ministério do Turismo como cota do Nordeste na parceria PT-PSB. O trio também quer as pastas do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social.

Segundo o iG apurou com um socialista, o partido já garantiu o retorno ao Ministério da Integração Nacional. Contudo ainda quer o Turismo para compensar a perda da Ciência e Tecnologia, pasta que deverá ser ocupada por Aloízio Mercadante, do PT de São Paulo. Atualmente, os petistas paulistas são donos do Turismo.

Outro problema para Valadares é que a presidenta eleita Dilma Rousseff colocou o Turismo como opção para o PMDB, partido que emperrou as negociações. Nome apoiado por vice-presidente eleito Michel Temer, Moreira Franco também foi cotado para o posto. O problema é que ele não tem o apoio das bancadas da Câmara e do Senado.

Ainda a ser criado, o Ministério da Micro e Pequena Empresa também entrou na lista de opções para emplacar Moreira. Ele não aceitou. Avalia que foi um aliado importante durante a campanha e por isso mereceria algo melhor. A nova pasta também fora rejeitada por Valadares. Ele tratou do assunto com Déda.

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