Sem Alencar, Nacional de Muriaé amarga desfalque

Torcedor mais ilustre do time de sua cidade, ex-vice costumava cantar: 'Quem fala mal do clube campeão é de inveja ou de mágoa'

Patrick Cruz, iG São Paulo |

O Nacional Atlético Clube, de Muriaé (MG), nunca foi muito longe no futebol. Lustra seu currículo um escasso título da segunda divisão do campeonato estadual, conquistado na longínqua temporada de 1969, e a taça do Torneio Incentivo de 1977. Mas o cartel minguado do clube, que atualmente participa de forma bissexta das divisões inferiores do Campeonato Mineiro, não o deixa desafinar: José Alencar estava em suas fileiras.

O ex-vice-presidente da República, que dizia não temer a morte, mas sim a desonra , não via desonra em se declarar torcedor do pouco célebre Nacional, time fundado em 1927. E como se a torcida fora de campo fosse pouca, ele defendeu o time também no gramado.

Aos 14 anos, quando saiu do pequeno distrito de Itamuri, seu local de nascimento, para viver em Muriaé, a 17 quilômetros de distância, Alencar começou a jogar nos times de juvenis do clube. Com o preto, branco e vermelho do Nacional, atuou até os 16 anos. Formava com seu irmão, Álvaro, e inauditos craques mirins: Alonso, Tatazinho, Mário Venâncio.

Ainda que minguada, a experiência de Alencar no futebol é mais rica que a da maioria de todos os mandatários da República. Café Filho, de vida efêmera na presidência do País, foi goleiro do Alecrim, de Natal. E o ex-presidente Fernando Collor, hoje senador, era o mandatário do CSA, de Maceió, quando o time ofereceu o primeiro emprego de treinador a um certo Luiz Felipe Scolari .

Nos tempos de boleiro do Nacional, Alencar conseguiu emprego como balconista da loja de tecidos A Sedutora, uma de suas primeiras experiências no ramo têxtil, que o faria um empresário de sucesso. Depois, Alencar mudou-se para Caratinga para trabalhar na Casa Bonfim – e a pelota teve que ficar para trás.

Mas o Nacional foi com ele. “Nacional eu sou do coração/ Nacional até debaixo d’água/ quem fala mal do clube campeão/ Ou é de inveja, ou é de mágoa”, cantou Alencar em 2009, em uma homenagem feita a ele, segundo relato do jornal O Estado de S. Paulo na ocasião. “Quem for Nacional de fato/ joga, vence, nunca apanha/ não se acovarda ao desacato/ Nacional, Nacional, Nacional eu sou do coração”.

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