Sem acordo no Senado, Câmara adia votação

Relator lê parecer que fixa em 7% o reajuste aos aposentados, mas aprovação depende de costura de acordo amplo entre as duas Casas

Fred Raposo, iG Brasília |

Sem ter a garantia de que o Senado aprovará o reajuste de 7% proposto pelo governo, líderes governistas na Câmara e no Senado resolveram adiar para a semana que vem a votação da MP 475, que estava prevista para acontecer hoje. Com o adiamento, pedido pelo líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), o governo pretende costurar, ao longo da semana, acordo entre as duas Casas.

A ideia é que, ao apresentar uma única proposta, o governo evite desgastes políticos em ano eleitoral. O primeiro passo deve ser dado nesta quinta-feira, quando 48 senadores da base encontram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um jantar. Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Lula "vai tocar no tema e falar da dificuldade" em unificar a proposta.

A "dificuldade" deve ser convencer o próprio PMDB. Em reunião esta tarde, o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), defendeu o aumento de 7,71% - encampada por lideranças aliadas na Câmara. Calheiros comentou que, "do ponto de vista fiscal", a diferença entre os índices - cerca de R$ 600 milhões, segundo cálculo das centrais sindicais - "parece irrelevante".

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse, no entanto, que está perto de resolver o impasse. "Se não estivesse perto, votaria (a proposta) hoje", afirmou o petista, que leu na noite desta quarta-feira o relatório em que propõe o reajuste de 7%.

Dada como derrotada até o início da semana, a proposta governista passou a ter maior aceitação após reunião dos líderes governistas com Lula, ocorrida na noite desta terça-feira. Foi o caso de líderes do PR e do PP. Apesar dos esforços do governo para convencer a base, o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) mostrou-se confiante de que prevalecerá o aumento de 7,7%. "Não tem como ser diferente", assinalou.

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