Segundo aliados, Dilma está bem de saúde

Parlamentares confirmam que pneumonia “abateu” presidenta, mas não acreditam que outros problemas de saúde inspirem mais atenção

Priscilla Borges, iG Brasília, e Yara Achôa, iG São Paulo |

Parlamentares aliados da presidenta Dilma Rousseff garantem que, agora, ela está bem. Depois de enfrentar uma pneumonia que a fez despachar do Palácio da Alvorada – a residência oficial – por três semanas para evitar o ar-condicionado do Palácio do Planalto, o abatimento percebido pelos que convivem mais de perto com ela sumiu, eles garantem. “Achei ela normal, disposta para o trabalho. Durante a pneumonia, que foi meio pesada, ela estava mesmo abatida”, afirma ao iG o senador e líder do PT no Senado, Humberto Costa.

AE
Presidenta discursa no Palácio do Planalto, em Brasília, enquanto é observada pelo ministro Antonio Palocci (26/05)
Humberto Costa, que é médico, diz que não conhece os detalhes do prontuário médico de Dilma. Mas ele não acredita que o quadro de saúde da presidenta inspire cuidados extras. “Mas, agora, não creio que haja motivo para maiores preocupações com a saúde dela.”

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), também defende que a saúde de Dilma vai muito bem. “Ela teve uma pneumonia , que poderia ter acometido qualquer um. Os médicos acharam que era mais simples no início, mas agora está bem e tranqüila. Desconheço qualquer outro problema de saúde da presidenta.”

De acordo com reportagem publicada na Revista Época deste sábado, a saúde da presidenta ainda inspira cuidados e atenção. O texto afirma que o estresse da vida presidencial e os 28 remédios tomados diariamente durante o período da inflamação pulmonar sobrecarregaram órgãos como o fígado e o estômago, fazendo Dilma se queixar de náuseas e falta de apetite nos últimos dias.

Segundo Época, na lista há drogas alopáticas, suplementos vitamínicos prescritos em tratamentos ortomoleculares e cápsulas que ela consome por conta própria, de curcumina (para perder peso) e de cartilagem de tubarão. A crença popular é de que elas ajudariam a prevenir o câncer.

Além disso, exames realizados por ela teriam se alterado em decorrência disso. A reportagem afirma que teve acesso a relatos médicos, exames e à lista de medicamentos da presidenta.

As doenças apontadas pela reportagem como foco de preocupação não têm nada a ver com o câncer linfático contra o qual Dilma se tratou em 2009. Esse, de acordo com boletim médico enviado à revista, está em “remissão completa” e “não há evidências de deficiências imunológicas” em Dilma.

A tireoidite de Hashimoto (diagnosticada nos anos 1970), a hipertensão, a gordura acumulada na região abdominal (síndrome metabólica) e o diabetes tipo 2 seriam os alvos de preocupação, especialmente associados ao estresse diário vivido pela presidenta.

Idade

Para o presidente da Comissão de Comunicação Social na Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o endocrinologista Ricardo Meirelles, todos estão sujeitos ao estresse, que, de fato, pode trazer consequências sérias à saúde. “O estresse crônico pode deixar a saúde mais frágil e, dentro do possível, deve ser evitado ou administrado”, afirma. Segundo ele, aos 63 anos, como é o caso da presidenta, algumas doenças se tornam mesmo mais recorrentes.

O médico se preocupa, porém, com o acompanhamento médico feito por Dilma. “Problemas como excesso de peso, diabetes e hipotireoidismo são da competência desse especialista. Se a presidenta não está acompanhada por um endocrinologista, deveria estar”, opina.

Meirelles explica que as alterações da tireóide e do diabetes tendem a aumentar com a idade. “Na faixa em que ela (Dilma) se encontra, existe maior vulnerabilidade ao hipotireoidismo e ao diabetes. Não podemos dizer que é normal, porque nenhuma doença pode ser considerada normal, mas é mais provável de acontecer”, minimiza.

Para o médico, o direito à privacidade do prontuário médico é universal, mesmo no caso de um presidente, que ele reconhece “preocupar a nação”. “O médico não está autorizado a falar sobre a saúde de seu paciente sem autorização dele. O paciente deve fazer uma avaliação se sua saúde pode comprometer ou não sua atividade profissional. Há uma preocupação geral com o bem-estar das pessoas públicas. Mas cabe a elas divulgar ou não algo sobre seu estado.”

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