Se PT tiver nome forte para BH, PMDB apoia aliado, diz presidente

Antônio Andrade, que responde pelo partido em Minas, defende nome de ministro Fernando Pimentel ou do ex-prefeito Patrus Ananias

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O PMDB de Minas Gerais abre mão da disputa pela prefeitura de Belo Horizonte se o PT indicar um nome de peso em 2012, afirmou nesta sexta-feira (18) ao iG o presidente do PMDB estadual, deputado federal Antônio Andrade. “Só existe uma hipótese de o PMDB não lançar candidatura própria em Belo Horizonte. Se o PT indicar um nome denso, desistimos, porque eles têm muitas chances de ganhar”, disse Andrade.

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AE
Patrus Ananias, apontado pelo PMDB como um dos nomes "densos" para disputar a prefeitura de Belo Horizonte
Questionado sobre quem teria a densidade suficiente, o dirigente peemedebista apontou dois nomes: Fernando Pimentel (ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Patrus Ananias (ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante as duas gestões de Lula).

Ananias disse ao iG que não pretende ser candidato.  Pimentel, prefeito da capital mineira entre 2003 e 2009, assumiu o ministério neste primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT) e tem demonstrado interesse em disputar o governo do Estado em 2014. Ele comanda um grupo petista a favor da manutenção da aliança do PT com o PSB de Lacerda, apesar de o prefeito enfrentar turbulência no relacionamento com seu vice, Roberto Carvalho (PT).

Polêmica

Recentemente, o prefeito de BH demitiu funcionários do gabinete de Carvalho . Houve v ários protestos contra a medida .

Além disso, o presidente do PSB de Minas, Walfrido dos Mares Guia, convidou formalmente o PSDB para integrar aliança em torno de Lacerda em 2012 e já avisou que não aceita veto do PT. Isso porque há um grupo petista ligado ao vice-prefeito que condena a reedição de uma aliança em torno do PSB, junto com o PSDB. Em 2008, esta composição teve como padrinhos o então governador Aécio Neves (PSDB) e o então prefeito Fernando Pimentel (PT).

Os nomes densos

Patrus Ananias disse ao iG não estar em “seu horizonte” disputar novamente a prefeitura. Ele foi prefeito entre 1993 e 1997 e garante estar entre suas prioridades de 2012 trabalhar pela união do PT e discutir Belo Horizonte (cidade com a qual possui uma “relação fraterna”, como ele afirma), no “campo das políticas públicas sociais”.

“Tem sempre uma dimensão humana e uma dimensão política quando as pessoas mencionam de maneira respeitosa o nome da gente. É uma coisa boa. Vou colocar claramente do ponto de vista pessoal. Muito claramente, não está no meu horizonte disputar a prefeitura. Não estou trabalhando uma candidatura, mas quero trabalhar em uma perspectiva de unidade do partido. A divisão do PT me preocupa”, confessou o ex-prefeito de Belo Horizonte, que disputou e perdeu no ano passado como candidato a vice-governador de Minas, em chapa encabeçada pelo ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB).

Em 2012, Patrus Ananias pretende ocupar seu tempo com uma atribulada agenda de compromissos profissionais: doutorado, doze aulas semanais para três turmas do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), a chefia da editora da mesma instituição, além de palestras, consultorias e o trabalho como servidor concursado na Escola do Legislativo do Estado. Mesmo com tantos compromissos, Patrus, afirma ter tempo para trabalhar pela discussão de temas que desafiam a cidade, como o transporte público e a educação, por exemplo. “Não podemos perder nossos compromissos históricos”, justifica.

Ao iG , o ex-ministro de Lula disse ser preciso, antes de discutir se o PT apoia ou não apoia um determinado nome, traçar um panorama que resgate o direcionamento tradicional dos petistas. “Penso que precisamos discutir mais Belo Horizonte. Precisamos fazer uma leitura da cidade, naquilo que conquistamos e naquilo que precisamos avançar mais, os desafios”. No momento em que o PT decidir seu rumo, a escolha deve ter o apoio de todos os militantes, defendeu também Patrus.

Fator Aécio

Eleito prefeito da capital mineira após derrotar, entre outros candidatos, o hoje senador Aécio Neves (PSDB), em 1992, Patrus destaca haver um “quadro novo” que precisa ser considerado pelo PT na hora da tomada de decisões eleitorais. Para ele, o posicionamento hoje de Aécio é mais claro como um defensor de propostas opostas às dos petistas. “Não digo que isso automaticamente impeça uma aliança em Belo Horizonte, mas é um fato que precisa ser discutido”, frisou.

“O Aécio tem tomado uma postura de fazer duras críticas ao PT, ao governo Lula e ao governo Dilma. Ele tem assumido um discurso que eu considero ser neoliberal, buscando lideranças dos setores mais conservadores, defendendo privatizações e o governo Fernando Henrique Cardoso. Considero positivo ele expor estas diferenças. É uma atitude correta e eu estou atento a isso.” Na avaliação de Patrus, o posicionamento de Aécio em se apresentar como presidenciável reforça os caminhos opostos de PT e PSDB. “2014 está logo ali", afirma.

Com PSDB na chapa, PT fica de fora

Uma das lideranças mais tradicionais do PT de Belo Horizonte, o vereador Arnaldo Godoy foi consultado pelo iG sobre a possibilidade de o seu partido lançar uma candidatura própria apoiada pelo PMDB em 2012. Ponderado, ele afirmou ser Patrus um nome sempre lembrado para ocupar cargos, desde a prefeitura, passando por governo estadual e chegando à Presidência da República. Para ele, entretanto, “Lacerda tem demonstrado querer o PT na chapa”.

Se PSDB caminhar para aliança com Marcio Lacerda, como defendo, será com PT, sem PT ou contra o PT. PSDB tem luz própria. É o maior partido de MG”, diz presidente tucano em Minas

Em um dos quadros possíveis para a composição da candidatura à reeleição de Lacerda está a possibilidade de que um tucano possa ser indicado à vice na chapa. Candidatando-se ao governo em 2014, o atual prefeito da capital deixaria no colo do PSDB a prefeitura. “Isso seria um despautério e um suicídio político. Se ele fizer isso, não nos resta alternativa a não ser lançar candidatura própria, mas eu prefiro nem pensar nesta possibilidade”, disparou Godoy. Sobre as recentes demissões de Lacerda no gabinete de seu vice petista, o vereador contou ter dito pessoalmente ao prefeito que se tratou de um “erro político”, mas que pode ser contornado.

O presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, vem defendendo que os tucanos ocupem postos de primeiro escalão da gestão Lacerda e não a vaga de vice na chapa. Na manhã desta sexta-feira (18), ele deixou bem claro estar preparado para guerra em nome do apoio ao prefeito da capital: “ Se PSDB caminhar para aliança com Marcio Lacerda, como defendo, será com PT, sem PT ou contra o PT. PSDB tem luz própria. É o maior partido de MG ”, assinalou.

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