PSOL lançou candidatura de Randolfe na última hora, mas peemedebista, com apoio do Planalto, fechou acordo com base e oposição

Bastou uma semana de campanha para José Sarney (PMDB-AP) costurar mais uma candidatura à Presidência do Senado. O PSOL lançou esta segunda-feira a candidatura de Randolfe Rodrigues (AP). Porém, com a ajuda do Palácio do Planalto, o peemedebista fechou acordo com a base aliada e com a oposição e deve ser eleito presidente pela quarta vez. 

“Sempre trabalhamos para que a proporcionalidade fosse exercida. O PMDB é maior bancada e Sarney é o melhor do partido”, disse o senador Renan Calheiros (AL), líder do PMDB e principal articulador da candidatura do senador do Amapá. Desde 2003, o PMDB elege os presidentes da Casa porque detém a maior bancada. 

O PSOL se fia na série de escândalos que atingiram o Senado há dois anos, quando Sarney estava à frente da Casa. As denúncias relacionavam o uso de atos secretos à nomeação de parentes para cargos no Senado.

Apesar de não fazer as reformas que havia anunciado , o peemedebista conseguiu se manter no cargo. O enfraquecimento da oposição foi facilitador para a construção da candidatura de Sarney. Há dois anos, o PSDB uniu-se ao PT para tentar eleger Tião Viana (PT-AC). Com apenas 15 integrantes (10 tucanos e cinco democratas), a oposição viu-se obrigada a fechar um acordo com o PMDB e apoiar Sarney.

Por orientação do Palácio do Planalto, o PT também não quis criar problemas para o PMDB. O partido decidiu ficar com a primeira vice-presidência do Senado. Tomou essa decisão sabendo que Sarney, com 81 anos, não deverá estar presente em todas as sessões. Desse modo, o petista que ficar com o posto terá destaque.

PT racha mandato

Recém eleitos, Marta Suplicy (PT-SP) e José Pimentel (PT-CE) tentam dividir o biênio no comando da primeira vice-presidência. Acordo firmado na semana passada garantiu que cada ficará apenas um ano no posto. Até agora, no entanto, não foi definido quem ocupará a primeira vice em 2011.

Terceira maior bancada no Senado, o PSDB ganhará o direito de ocupar a primeira-secretaria. O cargo é uma espécie de “prefeitura do Senado” pois lida com todas as questões administrativas e é responsável pelo orçamento de cerca de R$ 2 bilhões. O tucano mais cotado para o posto é Cícero Lucena (PSDB-PB).

No seu primeiro mandato como senador, Wilson Santiago (PMDB-PB) deve ficar com a vaga de segundo vice-presidente. Ao PTB, caberá a quarta escolha: o partido indicará João Vicente Claudino (PI) para a segunda secretaria. As vagas na terceira e quarta secretarias estão sendo negociadas entre DEM (Jayme Campos, do Mato Grosso), PP (Ciro Nogueira, do Piauí) e PR (ainda sem um nome).

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