Saída de ministro foi pensada para preservar autoridade de Dilma

Demissão de Orlando Silva era consenso desde a semana passada, mas plano foi mostrar que presidenta não cedeu a pressões

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A decisão de demitir Orlando Silva do Ministério dos Esportes na manhã desta quarta-feira teve como principal objetivo preservar a autoridade da presidenta Dilma Rousseff , segundo fontes do Palácio do Planalto.

De acordo com interlocutores da presidenta, desde a semana passada havia um consenso no governo de que Silva não tinha mais condições de seguir no cargo. A ausência do ministro no anúncio das sedes da Copa de 2014 foi o maior sintoma de fragilidade.

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AE
Notícia de que até mulher do ministro teria recebido dinheiro irritou a presidenta Dilma
“Se ele não pode nem ir a uma cerimônia oficial imagine se teria condições de liderar a disputa pesada com a Fifa sobre as regras da Copa”, disse um assessor da presidenta que pediu para não ser identificado.

A informação publicada na última sexta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo de que a até a mulher do ministro, a atriz Ana Cristina Lemos Petta, teria recebido dinheiro do ministério deixou Dilma particularmente irritada.

A demissão só não aconteceu antes por três motivos: a resistência de Silva, a falta de alternativas para substituição e, principalmente, o risco de passar a impressão de que Dilma estaria agindo sob pressão da imprensa ou do policial militar João Dias, autor das denúncias .

A ideia inicial do governo era aguardar o parecer da Corregedoria Geral da União (CGU) que está passando um pente fino os contratos do ministério para afastar o ministro em um ambiente mais tranquilo e sem pressões externas.

Boatos que chegaram na noite de terça-feira ao Planalto sobre o teor supostamente explosivo do depoimento que Dias dará ainda nesta quarta-feira na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, no entanto, apressaram a decisão.

“Houve a preocupação de afasta-lo antes do depoimento do policial na Câmara para não parecer que a presidenta cedeu à pressão”, disse o assessor de Dilma.

Diante dos boatos, Dilma e seus assessores mais próximos decidiram adiantar a decisão e usar como justificativa o fato de o Supremo Tribunal Federal ter determinado a abertura de inquérito para apurar a suposta responsabilidade de Silva no uso irregular de verbas do ministério.

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