Saída de Jobim da Defesa é iminente, avaliam aliados e palacianos

Um dia depois de encontrar com Dilma, Jobim constrange governo ao dar declarações negativas sobre Gleisi e Ideli

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Para lideranças no Congresso e palacianos, é uma questão de tempo a saída do ministro Nelson Jobim (PMDB) da pasta da Defesa. Depois de declarar ter votado em José Serra (PSDB) em vez de Dilma Rousseff (PT) na eleição do ano passado, o peemedebista disse considerar a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, “muito fraquinha”. Com a exceção de Edison Lobão (Minas e Energia) e Garibaldi Alves (Previdência), a situação dos demais ministros do PMDB também não é boa.

Agência O Globo
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, com o assessor especial da pasta José Genoino

À revista Piauí , Jobim disse que a ministra Ideli Salvatti é “fraquinha” e que a ministra da Casa Cvil, Gleisi Hoffmann, “mal conhece Brasília”. Ideli reagiu às declarações e afirmou que as afirmações do colega “eram desnecessárias”. “Para um ministro da Defesa, Jobim está indo muito para o ataque”, disse Ideli, segundo assessores que estiveram com ela na entrevista ao programa “Poder e Política”, ao portal de internet do jornal Folha S.Paulo .

A ministra Gleisi Hoffmann não quis comentar as declarações de Jobim. Ressaltou que o assunto era “irrelevante”.

A assessoria de Jobim confirmou que ele teve uma série de conversas com uma jornalista da revista Piauí , mas não sabe afirmar em que contexto a declaração sobre Ideli foi feita. A íntegra da reportagem só deve ser publicada nesta sexta-feira. Jobim está hoje em Tabatinga (Estado do Amazonas), onde ao lado do vice Michel Temer assina um plano de vigilância de fronteiras. Apesar de ser filiado ao PMDB, Jobim nunca foi tido como um ministro indicado pela sigla.

Ex-deputado federal, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Jobim chegou ao Ministério da Defesa em junho de 2007. Foi nomeado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à crise do sistema de transportes aéreo. Durante sua gestão na Defesa, Jobim tentou realizar a compra da nova frota de aviões caça da Força Aérea Brasileira, mas não teve êxito.

Jobim foi mantido no cargo, sobretudo, porque tem a confiança dos militares das três forças (Marinha, Exército e Aeronáutica). No começo do ano, ele nomeou como assessor especial na Defesa o ex-deputado federal e ex-presidente do PT, José Genoino, que é réu no processo do “mensalão” que tramita no STF e pode deve ser julgado no ano que vem. A nomeação de Genoino foi vista como uma tentativa de aproximação do ministro da Defesa com o PT.

Demais ministros

Além de Jobim, outros ministros filiados ao PMDB são tratados com frieza pela presidenta Dilma. Há cerca de um mês, o ministro Pedro Novais (Turismo) pensou em deixar o cargo. Só depois de seis meses de governo é que Novais teve a sua primeira audiência exclusiva com a presidenta Dilma. Novais foi convencido a ficar pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Ele não vai sair. Tem compromisso comigo”, disse Alves.

Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos -SAE) é outro peemedebista que não goza de prestígio com Dilma. Ele ainda não esteve com a presidenta em audiência. Quando foi sondado para a SAE no começo do ano, Moreira Franco resistiu. Disse que não queria um ministério sem expressão. Depois , foi convencido por Temer a ficar com a pasta.

Ao lado de Moreira, Wagner Rossi (Agricultura) é o ministro mais ligado a Temer. Recentemente ele foi envolvido em uma denúncia na Companhia de Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado à pasta. Irmão do líder governo Romero Jucá (PMDB-RR), Oscar Jucá Neto afirmou, em entrevista à revista Veja, que havia um esquema de cobrança de propina na Conab após ser demitido.

Nesta quarta-feira, Rossi foi ao Congresso dar explicações sobre o assunto. Por ora, está mantido no cargo. Na semana que vem, ele pode ser ouvi do no Senado, onde já existe requerimento convidando-o para prestar esclarecimento.

Entre os peemedebistas, Garibaldi Alves (Previdência) e, principalmente, Edison Lobão (Minas e Energia) são os mais bem avaliados até agora por Dilma. O primeiro ganhou pontos com a presidenta ao manter Carlos Gabas, ex-ministro da pasta, como secretário-executivo na Previdência. Na prática, é ele o principal responsável pelos projetos no setor. Herdado do governo Lula, Lobão sempre gozou da confiança de Dilma porque deu sequência a projetos que ela mesma iniciou quando esteve à frente da pasta de Minas e Energia entre 2003 e 2005.

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