Rui Falcão será indicado por grupo de Lula para presidir PT

Corrente que dá as cartas na sigla decidiu endossar o nome do deputado estadual; escolha, entretanto, precisa passar no diretório

Ricardo Galhardo, enviado a Brasília | 28/04/2011 14:37

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O deputado estadual Rui Falcão (SP) ganhou o endosso das correntes majoritárias do PT para se tornar o novo presidente do partido. Em uma reunião realizada na manhã desta quinta-feira, em Brasília, representantes dos grupos Construindo um Novo Brasil (CNB), PT de Lutas e de Massa e Novos Rumos, que juntas detêm 56% dos votos do diretório nacional petista, decidiram indicar o deputado paulista como o nome de sua preferência para presidir a sigla até 2013, quando se encerraria o mandato do atual presidente José Eduardo Dutra.

Primeiro vice-presidente do partido, Falcão ocupa interinamente a presidência do PT desde que Dutra se licenciou do cargo para tratamento de saúde, no dia 22 de março.

A indicação, entretanto, ainda precisa ser aprovada pelo diretório nacional do partido, que se reúne entre sexta-feira e sábado. Uma vez aprovado o nome, também caberá à instância bater o martelo quanto ao preenchimento definitivo da vaga. Isso porque alguns setores do partido defendiam que Falcão permanecesse comando da sigla em uma espécie de mandato tampão, até que o diretório nacional escolha um novo presidente.

O nome do deputado paulista ganhou força depois de uma reunião realizada na noite de quarta-feira, na qual o líder do partido no Senado, Humberto Costa (PT-PE), até então tido como favorito, disse que só aceitaria deixar a função para assumir a presidência do PT caso não houvesse outra possibilidade.

O aval de Lula, que foi consultado por telefone, derrubou as últimas resistências contra o nome de Falcão. O deputado paulista pertence à corrente minoritária Novos Rumos.

Pelo critério da proporcionalidade adotado na divisão de cargos no PT, a presidência deveria ficar com a CNB, que é majoritária no partido. Além disso, Falcão foi acusado de entregar um esquema de fabricação de dossiês contra adversários na campanha de Dilma Rousseff à Presidência, no ano passado.

“Rui Falcão não pertence à CNB mas foi um dos artífices da chapa que ganhou as eleições diretas em 2009”, disse o coordenador da CNB, Francisco Rocha. “Se fosse algum tempo atrás, até poderíamos bater o pé para indicar o presidente, mas hoje em dia temos maturidade suficiente para tomar essa decisão”, concluiu.

Segundo fontes petistas, Dilma também ficou satisfeita com ideia de definir rapidamente o sucessor de Dutra. Ela teme que a demora na definição pudesse causar instabilidades ao governo.

Ao deixar a sede do PT, no início da noite, Humberto Costa disse que a escolha de Falcão se deu por unanimidade dentro do CNB. Das correntes que integram o bloco majoritário, a única que se opôs à indicação foi a Mensagem ao Partido, que prefere um processo de escolha menos acelerado.

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