Roriz pede que inquérito do STF investigue também ministros

Na notícia-crime que o advogado que representa coligação de Rorizlevou ao Supremo, Ayres Britto e Lewandowski são citados

Severino Motta e Danilo Fariello, iG Brasília |

O advogado Eri Varela, que representava a campanha do ex-candidato Joaquim Roriz (PSC) ao governo no Distrito Federal, incluiu na notícia-crime que apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido para que o inquérito a ser aberto para verificar o episódio que envolve Roriz e Adriano Borges, genro do ministro do STF Carlos Ayres Britto, contemple também esse ministro e o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski.

A notícia-crime foi feita após a divulgação ontem pelo iG de gravação de negociação de Roriz com Borges sobre a participação do advogado no julgamento do ex-governador no caso da Ficha Limpa. Com a assinatura de Borges, o ministro Ayres Britto poderia se declarar impedido e, com isso, o resultado da decisão - que terminou empatada - poderia ser favorável a Roriz.

No documento protocolado hoje no STF, Varela indica estranhar a rapidez com que foi despachado o processo no TSE, depois de distribuída reclamação no STF no dia 8 de setembro, tendo sido registrada no dia 3 daquele mesmo mês. O advogado sugere que, pela menção dos nomes de Adriele Ayres de Britto e de Borges, respectivamente a filha do ministro e seu companheiro, o processo ganhou celeridade.

- O Ministro Presidente do TSE (Ricardo Lewandowski) requisitava o feito à Presidência, despachando-o. Tudo em dois minutos. A lentidão de cinco dias se transformou em um despacho de dois minutos.

O advogado não aponta, porém, provas de que os nomes de ambos constassem do documento. Nas fotocópias dos documentos do processo no STF não aparecem os nomes.

Por fim, na notícia-crime, Varela solicita que o inquérito do STF envolva não apenas Borges e Adriele, como também inclua os ministros Ayres Britto, Lewandowski e “outros, inclusive servidores desta Corte Suprema, que, certamente, no curso investigatório, se apurará”.

Procurado por meio da assessoria de imprensa do TSE, o ministro do STF Lewandowski não respondeu à reportagem porque, nesta noite de sexta-feira, ele preside sessão extraordinária do TSE por conta da proximidade das eleições. A assessoria de Ayres Britto reiterou o que o ministro disse ontem ao iG , que nunca houve qualquer interferência do magistrado nos serviços advocatícios prestados por seu genro. Borges e Adriele estão convocando advogados para defendê-los nos processos judiciais e administrativos que serão abertos.

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