Richa toma posse no Paraná e critica 'herança' dos antecessores

Sem citar nomes, novo governador alfineta Roberto Requião e Orlando Pessuti em discurso na Assembleia Legislativa

Luciana Cristo, especial para o iG de Curitiba |

O governador eleito do Paraná Beto Richa (PSDB) tomou posse na manhã de sábado na Assembleia Legislativa do Paraná. Em seu discurso, Richa reafirmou os compromissos assumidos durante o período eleitoral e não deixou de criticar seus antecessores.

Sem citar nomes, Richa fez clara referência aos ex-governadores Roberto Requião (PMDB) e Orlando Pessuti (PMDB), dizendo que assume o Estado em "condições preocupantes".

"Esse não é o tipo de herança que gostaria de ter recebido. Houve gastos que a prudência não teria permitido", afirmou. Referindo-se ao comportamento considerado truculento de Requião, Richa disse: "Lamento que o espírito republicano que pressupõe um bom relacionamento interpartidário tenha sido um vago espectro para alguns dirigentes. Rejeito o comportamento fundamentalista que amedronta a todos".

Richa ressaltou que o Paraná espera um bom tratamento do governo federal por ser o Estado de maior produção agrícola do País. Para o governador, o Paraná deve entrar em um novo ritmo de obras públicas.

"Estamos prontos para enfrentar os gargalos da infraestrutura. Como disse na campanha eleitoral, estamos prontos para tratar de forma responsável questões essenciais, como o pedágio e suas tarifas incompatíveis com a realidade paranaense", discursou.

Richa e seu vice, Flavio Arns (PT), seguiram logo depois para o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, onde Pessuti fez a transmissão do cargo e os secretários do novo governo tomaram posse.

Em seu discurso de despedida como governador, Pessuti afirmou que deixou R$ 500 milhões em caixa, sendo R$ 350 milhões em fundos específicos. A afirmação rebate análise da equipe de transição de Richa, que apontou déficit de R$ 1,5 bilhão nas contas do Paraná.

Mesmo com as críticas aos peemedebistas, antes de assumir o estado Richa conseguiu atrair para sua base de apoio o PMDB estadual, inclusive com a nomeação do deputado estadual e ex-líder de Requião na Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli, para a Secretaria de Trabalho e Emprego.

O novo governador do Paraná fez um novo pronunciamento no Palácio Iguaçu, no qual disse que nos últimos anos viu um Paraná ousando pouco. "O Paraná tem pressa em recuperar o desenvolvimento. Vi uma máquina pública ineficiente, que não pode continuar sendo um teste de paciência aos paranaenses", criticou.

Como gosta sempre de lembrar, Richa disse que está seguindo os passos do pai, José Richa, governador do Paraná de 1983 a 1986. Entre os destaques de seu discurso, Richa prometeu melhorar a segurança pública, em contratação de profissionais e com equipamentos necessários. A condução das ações da segurança pública foi uma das áreas do governo do Paraná que mais recebeu críticas na última gestão.

A posse de Beto Richa marca a volta ao governo do Paraná de um grupo que já está há 22 anos a frente da prefeitura de Curitiba e que volta à esfera estadual depois de dois mandatos do PMDB.

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