Reunião entre centrais e governo termina sem acordo

Centrais elevam o tom contra o governo e classificaram reunião como 'frustrante'

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Após 3 horas de discussão, terminou sem acordo a reunião entre as centrais sindicais e o governo federal para a discussão do reajuste do salario mínimo para 2011. O encontro aconteceu na manhã desta sexta-feira (4), em São Paulo, e deixou “frustradas” as lideranças, tanto da Força Sindical como da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - aliados histórico do PT.

AE
Guido Mantega, Carlos Lupi e Gilberto Carvalho em reunião com as Centrais Sindicais
Após o encontro, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, disse estar incomodado com o ínício do governo da presidenta Dilma Rousseff . Ele fez críticas ao ministro Guido Mantega (Fazenda), que participou da reunião, e disse que ele representa o interesse do mercado.

Sem esconder sua insatisfação, Paulinho resgatou a dinâmicas das negociações do governo Lula para subir o tom contra Dilma. “Tem uma queda de braço entre o famoso mercado nessa nova política do governo Dilma, que não é a mesma do governo Lula. Toda vez que tinha resistência do mercado, e que o ministro da Fazenda era uma espécie de testa de ferro dessa opinião, nós os derrotávamos porque o Lula intervinha. A Dilma, em vez de ficar como espécie de árbitra, está assumindo também nesta posição", disse o líder sindical, prometendo manifestações nos próximos dias contra a decisão.

“Não tem acordo e o governo não marcou a data para uma nova negociação”, completou Paulinho, insinuando que o governo quer trocar o valor do salário mínimo pela correção da tabela do Imposto de Renda, outras demandas da centrais.

Paulinho classificou a reunião como frustrante. “Levamos três horas para ouvir do governo as mesmas coisas da semana passada”. O presidente da CUT , Artur Henrique, também se disse frustrado com o resultado da reunião e afirmou que a central também não abre mão de um reajuste maior que o proposto pelo governo para o salário mínimo, nem da correção da tabela de Imposto de Renda.

A reunião acontece num momento de tensão na relação entre governo e centrais – que evocam um certo saudosismo da gestão do ex-presidente Lula , segundo elas mais aberta ao diálogo. As centrais defendem um valor de R$ 580, enquanto o governo quer manter o valor de R$ 545.

Na última semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi ironizado e chamado de “insensato” em nota assinada por Paulinho da Força, por negar que o governo estivesse disposto a promover mudanças na tabela do Imposto de Renda.

As centrais defendem que o governo aumente a faixa para isenção do imposto, que, segundo elas, “comeria” os ganhos obtidos pelos trabalhadores – acima da inflação – nos últimos meses. Questionada sobre o tema, Dilma demonstrou irritação por esse assunto ter entrado em pauta juntamente com a discussão sobre salário mínimo.

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