Rendimento de Palocci é muito alto e chama a atenção, diz Jaques Wagner

"Óbvio que chama a atenção o volume, vamos dizer, de ganho que ele teve", afirmou nesta sexta o governador da Bahia

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Futura Press
Jaques Wagner, governador da Bahia
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta sexta-feira (27), em entrevista a uma rádio de Salvador, que o crescimento do patrimônio do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) “chama a atenção” e “tumultuou o ambiente político” para o governo Dilma Rousseff.

“Eu reconheço que chama a atenção porque, em um ano de consultoria, ganhar R$ 20 milhões todo mundo se surpreende, que é um rendimento muito alto. Então isso chamou a atenção, como chamou lá a atenção a questão do apartamento”, disse o petista à rádio Metrópole.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o ministro Palocci multiplicou seu patrimônio por 20 de 2006 a 2010, após deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva e passar a acumular funções de deputado federal e consultor. Houve ainda a revelação da compra, pelo ministro, de um apartamento de R$ 6,6 milhões e de um escritório de R$ 882 mil, e de faturamento bruto de R$ 20 milhões em 2010 obtido pela empresa de consultoria do ex-ministro da Fazenda e coordenador da equipe de transição de Dilma.

O governador baiano disse ser “óbvio” que, como ex-titular da Fazenda, o ministro tenha acesso a “informações privilegiadas”, daí o interesse do setor privado por seus serviços. E completou: “Óbvio que chama a atenção o volume, vamos dizer, de ganho que ele teve.”

Wagner disse não querer “incriminar nem inocentar” Palocci de antemão. “Ele deu lá umas primeiras explicações e agora vamos aguardar”, afirmou. O petista, um dos governadores mais próximos da presidente Dilma, afirmou ainda que o tema “tumultuou o ambiente político de Brasília”.

“Não resta dúvida que isso tumultuou o ambiente político de Brasília, na medida em que ele é um ministro importante, do meu Partido dos Trabalhadores é um quadro importante. É claro que só o questionamento já criou isso”, disse Wagner, que se manifestou “solidário” ao ministro “até que se prove o contrário”.

O governador concordou com o entrevistador ao ser questionado se Palocci não estaria demorando a prestar esclarecimentos sobre sua evolução patrimonial. “Concordo. Quanto mais demora, é mais gente levantando lebre, mais questionamentos sendo feitos, aí acho que não é bom para ninguém”, afirmou.

Wagner classificou o episódio como “escorregão” ao apontar politização do tema pela oposição. “Claro que na política quem é oposição qualquer escorregão seu o cara vai aproveitar para tirar algum proveito e criar um ambiente de confusão.”

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