Recuperada de uma pneumonia, Dilma visita Uruguai

Insatisfação de setores da população com a presença de empresários brasileiros no mercado local é uma das pautas da presidenta

BBC Brasil |

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Depois de quatro adiamentos, a presidenta Dilma Rousseff desembarca nesta segunda-feira no Uruguai. A chegada à capital do país está prevista para às 11h30. A estada de cinco horas está sendo aguardada com expectativa especialmente por parte do empresariado local - preocupado com a inclusão, por parte do Brasil, de produtos uruguaios no sistema de licenças não automáticas de importação - e será acompanhada com atenção por toda a sociedade do país, já que o Brasil é hoje o principal mercado das exportações nacionais e também o principal fornecedor de produtos ao Uruguai.

AE
Depois de três semanas em ritmo reduzido por conta de uma pneumonia, Dilma passa o dia no Uruguai
Segundo o governo brasileiro, em 2010 o intercâmbio bilateral ultrapassou os US$ 3 bilhões, o que representou um aumento de 19,4% em relação ao ano anterior e uma relação comercial equilibrada, com aproximadamente o mesmo valor de US$ 1,5 bilhão tanto de exportações para o Uruguai quanto de importações oriundas do país vizinho.

Os primeiros eventos oficiais de Dilma serão uma visita ao Laboratório Tecnológico do Uruguai, ao meio-dia, e na sequência uma reunião com o presidente José "Pepe" Mujica. Às 14h15, participa de almoço oferecido pelo uruguaio e, duas horas depois, embarca de volta a Brasília.

'Brasil-dependência'

Durante a visita, Dilma discutirá várias iniciativas que visam reduzir a insatisfação entre alguns setores da população uruguaia com a ofensiva de empresários brasileiros no mercado local nos últimos anos e o crescente atrelamento do Uruguai à economia verde-amarela, um fenômeno que já foi apelidado de "Brasil-dependência".

Sobre a mesa de reuniões estarão temas como a integração entre o norte do Uruguai e o sul do Rio Grande do Sul, com a construção de uma nova ponte sobre rio Jaguarão, a implantação de uma hidrovia entre os dois países, a reativação de uma linha férrea entre Livramento e Cacequi e a construção de uma linha elétrica que una os dois países, iniciativas que, segundo o Itamaraty, receberão "atenção prioritária" por parte dos mandatários.

Outro setor a ser dinamizado será a cooperação em tecnologia e inovação. Entre os projetos incluídos nos acordos e memorandos de entendimento a serem assinados está a instalação de laboratórios de conteúdos de TV digital e aplicações interativas no Uruguai. Nesse aspecto, a visita será pautada por uma decisão de Mujica no ano passado, quando ele anulou decisão de seu antecessor, Tabaré Vázquez, e optou pelo sistema nipo-brasileiro de TV digital.

Segundo uma fonte do Itamaraty, o governo brasileiro pretende manifestar seu apreço pela decisão do vizinho por meio de cooperação também nas áreas de saúde, segurança, ciência e educação. O comércio de arroz é outro tema que deverá pautar o encontro entre Dilma e Mujica.

Nas últimas semanas, produtores do grão fecharam ponte que liga o Rio Grande do Sul à Argentina para protestar contra o ingresso do produto de países do Mercosul, o que, segundo eles, está barateando excessivamente o arroz nacional. O Brasil tenta negociar com o Uruguai a venda de parte do excedente do arroz uruguaio para países de fora do Mercosul, a fim de proteger os produtores brasileiros.

Reencontro com o passado

A chegada de Dilma Rousseff ao Uruguai marca ainda o reencontro com uma parte de seu passado. Além de compartilhar com Mujica o fato de haver combatido a ditadura militar a partir de movimentos de esquerda - o presidente uruguaio foi um dos líderes da organização guerrilheira Tupamaros -, a presidenta esteve no Uruguai para receber um "treinamento de inteligência", segundo comentou.

Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no ano passado, Dilma contou um pouco como eram os exercícios praticados no país de Mujica. "Geralmente a gente fazia numa fazenda. Era mais seguro fazer na fronteira. Ia pouca gente. Na minha vez foram cinco ou seis pessoas. Nunca tive pontaria, mas pegava bem. Era uma ótima limpadora. O meu treinamento foi muito simplório. Não se atirava muito. Montava-se e desmontava-se ( armas ). Também ( havia treinamento ) de segurança. Você olha como é que faz para não ser seguido."

Talvez por conta desse histórico comum, o presidente uruguaio tenha declarado à BBC Brasil , também em 2010, que estava gostando "das mulheres no poder", quando perguntado sobre as eleições presidenciais brasileiras que aconteceriam em outubro. Agora vitoriosa, a preferida de Mujica volta ao Uruguai.

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