Manifestação foi feita pelo ex-presidente a senadores petistas, durante almoço em Brasília

O menu original do almoço era reforma política, mas a reunião entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a bancada do PT no Senado acabou sendo pautada pela polêmica envolvendo o aumento patrimonial do ministr-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.  No encontro, em que estiveram 13 dos 15 senadores petistas, Lula defendeu a atuação de Palocci e o uso da estratégia de "quem acusa, tem que provar", segundo um dos participantes do almoço, que pediu anonimato.

Almoço deveria discutir reforma política, mas caso Palocci pautou conversa
AE
Almoço deveria discutir reforma política, mas caso Palocci pautou conversa
O discurso dos senadores foi consensual no que se refere às informações sobre o aumento patrimonial de Palocci nos últimos quatro anos. Para eles, não configura denúncia concreta. "Vamos acompanhar o desenrolar com muita convicção que os dados não comprovam de forma concreta qualquer tipo de denúncia contra Palocci", disse o senador Paulo Paim (RS).

Outra estratégia deverá permanecer na retaguarda. Palocci deverá resumir as explicações sobre o seu aumento patrimonial nos últimos quatro anos a informações que serão entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda sem data para ocorrer.

"Não há necessidade de maiores explicações", disse o senador José Pimentel (PT-CE). Sobre o clima da reunião ao redor do assunto, resumiu: "Palocci é nosso ministro". A expectativa é de que os esclarecimentos sejam suficientes para reduzir os ânimos sobre o assunto e acalmar a oposição, que tenta convocar o ministro para se explicar no Congresso.

Na reunião com a bancada, Lula, que saiu sem falar com a imprensa, teria exposto também a necessidade de demonstrar união na defesa do ministro -- ordem similar à da própria presidenta Dilma Rousseff.

"Lula falou da importância de estarmos unidos ao redor de Palocci, uma pessoa tão importante na administração Dilma", disse o senador Eduardo Suplicy (SP). "A convicção por parte do governo, de ministros, do ex-presidente Lula é a de que não há qualquer ação por parte do ministro Palocci que tenha sido contrária ao que diz a lei. São todas perfeitamente explicáveis."

Palocci, segundo reportagem de 15 de maio do jornal Folha de S. Paulo , teria conseguido aumentar seu patrimônio em 20 vezes desde 2006, graças aos serviços prestado por sua consultoria Projeto enquanto foi deputado federal. Até agora, o ministro divulgou notas após as reportagens, nas quais afirmou que aumento patrimonial está detalhado na declaração de Imposto de Renda e que a consultoria Projeto prestou serviços a clientes da iniciativa privada, "tendo recolhido sobre a remuneração todos os tributos devidos".

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