'Que fugi, que nada', diz petista que sumiu na votação do mínimo

Reginaldo Lopes (PT-MG), que deixou o plenário sem rejeitar a emenda de R$ 560, afirma que saiu porque tinha reunião marcada

Andréia Sadi, iG Brasília |

Na votação do salário mínimo na última quarta-feira, na Câmara dos Deputados, o PT, partido da presidenta Dilma Rousseff , teve duas dissidências declaradas publicamente, Eudes Xavier (CE) e Francisco Praciano (AM). Mas um terceiro deputado petista presente na sessão, o presidente do partido em Minas, Reginaldo Lopes, também não rejeitou os R$ 560 contrários ao governo.

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Deputado pelo PT mineiro, Reginaldo Lopes sumiu do plenário durante a votação da emenda que propunha aumento do salário mínimo para R$ 560
Nos bastidores, petistas dizem que Lopes “fugiu” para prejudicar o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), já que o mineiro liderou um dos movimentos internos pelo apoio ao deputado Marco Maia (PT-RS) na disputa pela presidência da Câmara, então adversário de Vaccarezza.

Em entrevista ao iG , Lopes diz que precisou sair do plenário logo após rejeitar a emenda de R$ 600 porque tinha uma reunião marcada. Mas insiste que declarou voto pelos R$ 545. “Que fugi, que nada. Eu não deveria ter saído, mas já havia marcado o encontro e não deu tempo de voltar”, disse.

A emenda do PSDB que propunha o aumento do mínimo para R$ 600 foi rejeitada por 376 votos contra, 106 a favor e 7 abstenções. Logo depois, os deputados apreciaram a emenda do DEM que pedia o aumento do mínimo para R$ 560. A emenda do DEM foi rejeitada por 361 votos contra, 120 a favor e 11 abstenções. A proposta, agora, segue para o Senado.

Leia os principais trechos da entrevista:

iG - Deputado, o senhor estava no plenário da Câmara no dia da votação do salário-mínimo, mas não votou nos R$ 545. O senhor fugiu da votação?
Reginaldo Lopes: Que fugi, que nada. É mentira. Fui fazer uma reunião sobre uns projetos com reitores do ensino médio e, quando meu secretário me ligou, já tinha votado 312. Quando eu cheguei, já estava terminando de apurar. Mas na hora cheguei, fui na tribuna e declarei voto nos R$ 545.

iG - O senhor chegou na hora que estava apurando os votos?
Lopes - Eu votei contra os R$ 600. Aí eu tinha um compromisso A hora que eu sai, a votação foi muito rápida e a hora que cheguei já estava encerrando.

iG - A votação começou depois das 22h. O compromisso era inadiável?
Lopes - Eu tinha combinado com alguns representantes de escolas técnicas, que tinham me chamado para jantar. Resolvi dar uma passada, mas me atrasei. Pedi para o meu assessor me ligar. A hora que ele ligou, a votação já estava nos 300 e tantos. Eu entrei no plenário, já tinha encerrado.

iG - O senhor foi cobrado por alguém do PT?
Lopes - Falei com o Vaccarezza para explicar, até falei ‘podiam ter me ligado’, mas eu acho que o celular tinha acabado a bateria.

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