Partido, que preferiu não publicar nota de apoio ao chefe da Casa Civil, vai esperar entrevista e parecer do procurador-geral

Em meio à expectativa pelo pronunciamento à imprensa do ministro Antonio Palocci sobre sua evolução patrimonial, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, reafirmou na tarde desta sexta-feira (2) que o partido irá aguardar a manifestação do titular da Casa Civil para avaliar a necessidade de um posicionamento oficial da sigla sobre o caso.

Falcão participou, em Salvador, de encontro com presidentes estaduais do partido. Em entrevista, disse que o governo está “conduzindo adequadamente” o episódio e procurou justificar o fato de o PT ainda não ter saído em defesa de Palocci.

“Nós vamos aguardar essa entrevista, ou entrevistas, vamos aguardar também o pronunciamento do procurador-geral da República para decidir se há necessidade de um pronunciamento oficial do partido”, disse Falcão. Na quinta-feira (1), reunião da Executiva nacional petista terminou sem gesto de apoio oficial ao ministro.

O ministro Palocci ainda não veio a público comentar seu aumento patrimonial de 20 vezes em quatro anos, revelado pela Folha de S.Paulo , desde a divulgação do caso, há 20 dias. Encaminhou esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República e espera-se que conceda entrevista nesta sexta-feira ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Falcão disse que o intervalo entre a revelação do caso e a explicação do ministro não prejudica a imagem do PT. “Acho que o ministro Palocci está tendo conduta correta. Não há nenhum indício ou prova de enriquecimento ilícito, portanto não há nenhuma razão para imaginar que isso possa manchar a imagem de nosso partido”, afirmou.

Tensão

Há, contudo, setores do PT que criticam publicamente o desgaste causado pelo episódio. O presidente do PT gaúcho, Raul Pont, por exemplo, defende o afastamento do ministro. “Não tem sentido o governo assumir esse desgaste muito forte”, disse. Outros líderes da sigla dizem preferir aguardar a manifestação do titular da Casa Civil. “A essência é ele se explicar, afastamento não”, afirmou Reginaldo Lopes, presidente do PT de Minas Gerais.

Presente ao encontro, o governador da Bahia, Jaques Wagner, fez menção a “turbulência” e a “tensão toda que estamos vivendo” durante pronunciamento aos colegas de partido. Em entrevista, reafirmou que o faturamento do ministro “chamou a atenção” por ser “significativo”, e que impõe agenda negativa ao governo.

“O que disse é que o faturamento é significativo, por isso chamou a atenção, mas ninguém pode partir da presunção de que o faturamento tem alguma coisa de irregular, até que seja esclarecido”, disse Wagner, para quem o episódio “traz tensão”. “Traz uma tensão, então você fica com uma agenda que não é agenda que a gente quer. Nesse aspecto, como fica reincidindo sobre essa agenda, ele ( episódio ) atrapalha”, afirmou o governador baiano.

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