PT usa 'faxina' no governo para recuperar bandeira da ética

Um dia depois de Dilma pedir a saída de mais um ministro, partido pretende endossar limpeza na Esplanada em reunião no Rio

Ricardo Galhardo, enviado ao Rio de Janeiro |

No dia seguinte à demissão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o PT planeja aprovar uma resolução apoiando o desempenho da presidenta Dilma Rousseff ao comandar uma 'faxina' na Esplanada dos Ministérios. De acordo com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o documento sobre o escândalo que levou à demissão do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento deve ser votado na reunião do diretório nacional do partido, no Rio de Janeiro.

"Apoiamos a ação da presidenta. Ela está cumprindo uma promessa de campanha. Isso ajuda muito a fortaçecer a imagem que nós sempre tivemos de um partido que defende a ética na política", disse Falcão.

AE
Presidente nacional do PT prepara reunião do diretório do partido nesta sexta, no Rio
A resolução tem dois objetivos. O primeiro é dar tranquilidade à presidenta depois do duro discurso de Nascimento, no qual o ex-ministro acusou Dilma de não ter dado o apoio prometido. O segundo é preparar terreno para a disputa eleitoral de 2012. 

Os petistas estão preocupados com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal julgar o caso do mensalão no ano que vem. Isso significaria, nas contas de alguns dirigentes, no mínimo 60 dias de noticiário negativo em pleno ano eleitoral.

Pesquisas internas do governo mostram que a faxina no Ministério dos Transportes foi bem aprovada, principalmente na classe média que desde os escândalos de 2005 tem se afastado do PT. Calcar o discurso eleitoral nas ações moralizadoras de Dilma poderia servir de antídoto contra os prejuízos de um possível julgamento em ano eleitoral.

"O PT nunca deixou de empunhar esta bandeira. Temos uma pesquisa mostrando que para 15% da população somos o partido que tem mais políticos honestos. Na série histórica este número vem aumentando desde 2008", disse Falcão.

Segundo ele, o diretório nacional reunido em um hotel no Rio de Janeiro não deve fechar questão sobre a política de alianças para 2012. A decisão final caberá ao 4o Congresso Nacional do PT, marcado para setembro.

O diretório deve fazer uma indicação no sendito de que a direção nacional centralize as decisões em ciadades chave. O secretário nacional de Organização, Paulo Frateschi, apresentou um mapa com a situação eleitoral em 117 municípios considerados fundamentais por terem mais de 150 mil eleitores e emissoras de TV com abrangência regional. A ideia é que a direção nacional controle com lupa os movimentos dos partidos nestas cidades.

"Não teremos uma política intervencionista mas podemos avocar alguns casos. A eleição municipal não afeta a governabilidade lá em Brasília. Isso também vale para os aliados. Não vamos pedir a demissão de ministro só por causa de alguma divergência local", disse Falcão.

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