PT recolherá assinaturas para CPI do Cachoeira no Senado

Na Câmara, o deputado Protógenes Queiroz já apresentou, no mês passado, outro pedido para investigar bicheiro preso

iG São Paulo |

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse nesta segunda-feira (9) à Agência Estado que o partido vai começar a recolher nesta terça assinaturas para propor a criação de uma CPI para investigar as relações do empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

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Operação Monte Carlo: Polícia Federal prende Carlinhos Cachoeira

Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro no presídio federal de Moçoró, no Rio Grande do Norte. A decisão dos petistas ocorre depois que o corregedor da Casa, Vital do Rêgo (PMDB-PB), foi informado de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não enviará os autos da operação porque a investigação está sob segredo de Justiça.

Pinheiro afirmou que o PT estava "segurando" a CPI para esperar o recebimento do inquérito no STF. Ele e outros senadores pediram, por intermédio do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acesso às investigações para subsidiar a Corregedoria e o Conselho de Ética. Mas o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, informou Vital que não poderia repassar o material ao Senado.

"Vamos propor a criação de uma CPI", disse Pinheiro. Ele ressaltou que ainda não conversou com outros líderes da Casa sobre se vão aderir à coleta de assinaturas ou sobre se a comissão parlamentar será mista, de deputados e senadores.

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iG Explica: Entenda a crise envolvendo o senador Demóstenes Torres

Na Câmara, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) já apresentou no mês passado mais do que as 171 assinaturas necessárias para criar por lá uma comissão parlamentar para investigar as relações do contraventor. No Senado, para se abrir uma CPI, é preciso obter pelo menos 27 apoios.

A investigação feita pela Polícia Federal e os grampos autorizados pela Justiça apontaram o envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o esquema chefiado por Cachoeira. O senador se desfiliou do DEM para evitar um processo de expulsão e pode ser cassado por quebra de decoro parlamentar. Dados do processo ainda levantam suspeitas contra outros políticos de Goiás.

No sábado (7), o iG revelou, com base no inquérito da Polícia Federal (PF) da Operação Monte Carlo, que as polícias Civil e Militar estavam a serviço de Cachoeira para a abertura e fechamento de bingos.

Já nesta segunda (9), o iG mostrou que o grupo de Cachoeira indicava até promoções de membros da Polícia Militar de Goiás (PM-GO). “Estamos diante de um mega escândalo”, avaliou o petista. “As investigações da Polícia Federal indicam pelo menos 89 pessoas envolvidas, entre eles estão políticos e membros do Estado. Precisamos saber até que ponto vai isso”, complementou.

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