PT quer retomar ética como bandeira de campanha

Partido, no entanto, adota discurso cauteloso para não esbarrar em herança de Lula ou em aliados

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Baseado em pesquisas de opinião que apontam amplo apoio da sociedade às ações moralizadoras da presidenta Dilma Rousseff , o PT decidiu, seis anos depois do escândalo do mensalão, retomar a ética como bandeira de campanha para as eleições municipais do ano que vem. Dois fatores, no entanto, dificultam a iniciativa petista. O primeiro é o risco de desagradar aos partidos aliados e prejudicar a governabilidade de Dilma. O segundo é o governo Luiz Inácio Lula da Silva , fonte da maior parte dos escândalos que eclodiram na gestão Dilma.

Agência Estado
Herança de Lula dificulta planos do PT de encampar bandeira da ética para justificar faxina na Esplanada

Na última sexta-feira o diretório nacional do partido aprovou, no Rio de Janeiro, uma resolução política de apoio a Dilma . O documento preliminar defendia a faxina nos seguintes termos: “as recentes medidas adotadas em relação a denúncias de corrupção demonstram que o governo e a sociedade têm meios e disposição de enfrentar a crônica privatização do Estado montada pelas elites que antes governaram o País”.

O texto foi redigido na quinta-feira por uma comissão escolhida pela executiva nacional do PT. No mesmo dia o presidente do partido, Rui Falcão, anunciou à imprensa que a resolução traria o apoio explícito do PT às medidas moralizadoras de Dilma.

No dia seguinte, durante a reunião do diretório nacional, alguém lembrou que, entre “as elites que antes governaram o País” e o governo Dilma, o Brasil teve os oito anos de Lula. E também que a maior parte dos escândalos atuais têm origem na gestão anterior.

Na versão final, o texto ficou assim: “o diretório nacional do PT manifesta, por fim, seu apoio às medidas que o governo Dilma – dando continuidade ao que fazia o governo Lula – adota contra a corrupção”.

Discurso

Ontem, em evento organizado pelo Instituto Ethos, em São Paulo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, voltou a agitar com ênfase a bandeira da ética. “Vivemos no Brasil uma necessidade de uma profunda revisão na ética. Na ética na política, na ética nos negócios, empresarial, social. E essa ética não pode levar apenas ao farisaísmo. Ela tem que estar vinculada a um projeto político”, disse Carvalho.

Pouco depois, em entrevista coletiva, confrontado com as novas denúncias de corrupção no Ministério da Agricultura, Carvalho disse: “Quero lembrar sempre que quem pediu demissão foi o Alfredo Nascimento ( ex-ministro dos Transportes ). Ele recebeu a confiança da presidenta mas avaliou que não tinha condição de ficar à frente da pasta. Com o ministro Wagner Rossi ( Agricultura ) a posição é diferente. Ele fez o que tinha de fazer, limpou o problema no ministério, e é ministro da presidenta Dilma. Não temos nenhum prazer em demitir qualquer ministro”.

A tentativa do PT de voltar a empunhar a bandeira da ética pode ter também um empecilho legal. Dirigentes do partido se preparam para a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal julgar no ano que vem, em plena disputa das eleições municipais, o caso do mensalão. Com isso o partido ficaria entre dois e três meses nas manchetes e o caso voltaria à tona. As faxinas promovidas por Dilma podem ser o antídoto.

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