A reforma política é a principal bandeira interna do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que deixou o governo

O PT lançou hoje uma campanha nacional pela reforma política cujo slogan é "Um Novo Brasil. Uma Nova Política" e aprovou o apoio irrestrito ao projeto elaborado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS). Internamente, no entanto, o discurso é de pessimismo quanto à aprovação do texto no Congresso. A reforma política é a principal bandeira interna do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que deixou o governo no dia 1º de janeiro.

Uma frase do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), durante o encontro a portas fechadas da cúpula petista no Rio de Janeiro sintetiza o clima no partido.

"Se existe consenso aqui entre nós é porque não existe consenso lá fora", disse Maia, segundo relatos.

De acordo com participantes da reunião, o PT abriu mão de todas as suas propostas de reforma em nome do financiamento público exclusivo de campanhas.

"A base é o financiamento público. Mas não é fácil. É só ver como foi a votação no Senado (onde o voto em lista, uma exigência para o financiamento público, foi derotado)", dise o ex-presidente do partido, José Eduardo Dutra.

Entre os petistas existe o temor de retrocesso. "O distritão (modelo de eleição legislativa proposto pelo PMDB) é pior do que hoje", dise Dutra. "No parlamento, o ótimo é inimigo do bom ou do razoável", completou o ex-presidente petista, em referência às concessões que o partido deve fazer para aprovar uma plataforma mínima.

No relatório da comissão de reforma política da Câmara, Fontana sugere a adoção do sistema batizado por ele mesmo de proporcional misto, no qual metade das vagas seria preenchida por listas partidárias pré-ordenadas e a outra metade pelo sitema nominal proporcional em vigor atualmente. Vários petistas já admitem que, para agradar o PMDB, o sistema pode virar distritão misto. No distritão não existe proporcionalidade entre os partidos. Os nomes mais votados são eleitos. "É o pior sistema possível.

Potencializa tudo de ruim que existe hoje. Aí sim o poder econômico é que vai definir todas as vagas e os partidos perdem totalmente a importância", dise Dutra.

O possível fracasso da reforma política seria uma derrota pessoal do ex-presidente Lula, que tem empenhado grandes esforços em uma mudança nas regras políticas. A mudança do calendário para que haja coincidência entre as eleições municipais, estaduais e federais, outra proposta de Lula, ainda não foi incluída no relatório de Fontana, que chegou a ir a São Paulo para discutir pessoalmente com o ex-presidente pontos do texto.

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