PT ensaia apoio genérico a Dilma sobre salário mínimo

Partido comemora 31 anos hoje e aproveita festa para marcar volta do ex-presidente Lula à cena política

Clarissa Oliveira e Andréia Sadi, iG Brasília |

Em meio ao clima de tensão que tomou conta da relação entre as centrais sindicais e o governo da presidenta Dilma Rousseff , o PT planeja uma manifestação formal de apoio à política adotada pelo governo na questão do salário mínimo, mas deve evitar se comprometer com um valor. Embora não haja sequer a certeza de que o tema entrará na resolução que será tirada do encontro do Diretório Nacional da sigla nesta quinta-feira, é consenso na ala majoritária do partido que qualquer manifestação não falará em números.

Instância responsável por ditar o posicionamento do PT, o Diretório Nacional realiza hoje, em Brasília, sua primeira reunião desde que Dilma foi eleita. Para minimizar o risco de tensão, ficou acertado que o debate político que geralmente acontece entre seus 81 integrantes ficaria em segundo plano, dando lugar à festa em comemoração pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência de honra do PT.

Reunidos ontem em Brasília, membros da corrente Construindo um Novo Brasil – a mais forte dentro do Diretório Nacional – minimizaram a decisão de não apoiar expressamente um valor de R$ 545. Na prática, o movimento não pretende contestar a proposta do Planalto, mas sim evitar o embate direto com as centrais sindicais, que pedem que o valor seja elevado para R$ 580. “Não podemos reduzir o que estamos vivendo neste momento a uma cifra do mínimo”, disse José Genoino, membro do Diretório Nacional. “A posição do governo é posição do PT”, completou o líder do Senado, Humberto Costa (PE).

Ex-presidente do partido, o deputado Ricardo Berzoini (SP) disse que os parlamentares que integram a corrente assumiram o compromisso de apoiar incondicionalmente a posição de Dilma em relação ao assunto. E negou que haja dissidências dentro da bancada petista. “Na bancada não há absolutamente nenhum deputado contrário ao governo”, disse Berzoini, alegando que por isso a sigla não vê a necessidade de fechar questão sobre o assunto. Se isso ocorresse, deputados que votassem contra a proposta do Planalto estariam sujeitos à expulsão.

Petistas explicaram a posição alegando que não é tradição do partido fechar números em suas resoluções, mas sim fazer uma defesa genérica sobre questões como a “valorização do salário mínimo”.

Preparação

Na reunião de ontem, petistas ligados à CNB - entre eles nomes como o ex-ministro José Dirceu e o presidente da sigla, José Eduardo Dutra - discutiram temas como o posicionamento do partido no governo Dilma e a reforma política. O grupo preparou um texto próprio para levar ao Diretório. Assinado por Genoino, o documento alerta para a necessidade de defesa do “legado do governo Lula”. “Já está em curso a tentativa de desvalorizar o significado histórico e transformador do governo comandado por Lula e de apequenar o conteúdo e imagem dele como líder político mundial”, diz o texto.

Para preservar Dilma, todo o debate sobre questões potencialmente polêmicas está sendo empurrado para frente. É o caso de questões como a refiliação do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, pivô da crise do mensalão. A reunião será sucedida pela festa marcada para as 17 horas, em que Lula retoma o posto de presidente de honra do PT. Os petistas esperam um discurso emotivo e improvisado do ex-presidente. “Vai chorar umas dez vezes”, brincou um membro da CNB.

Troca-troca na Executiva

Na pauta da reunião, os maiores destaques ficarão por conta de temas como a recomposição da Executiva Nacional - nomes como os ministros José Eduardo Cardozo e Iriny Lopes deixaram a instância para integrar o ministério de Dilma. Para o lugar de Iriny Lopes, está confirmado Iole Ilíada (SP), da corrente Articulação de Esquerda. Segundo Dutra, ainda não há nome fechado para substituir Cardozo. O deputado Henrique Fontana foi convidado, mas recusou o cargo. Além dos dois, o segundo vice-presidente do PT, Humberto Costa, também será substituído. Para a vaga de Costa, deve ficar o deputado do ceará José Nobre Guimarães.

Diferentemente do ano passado, quando comemorou o aniversário do partido com a pré-candidatura de Dilma, o PT prepara uma festa modesta para os seus filiados. Segundo Dutra, o encontro vai ser um “ato festivo” e deve reunir cerca de 400 pessoas no Teatro dos Bancários, em Brasília. Com uma dívida de R$ 27 milhões herdada da campanha de Dilma, o partido vai conter despesas.

Mesmo sem orçamento fechado, a projeção é a de que o custo gire em torno de R$ 80 mil. O valor, segundo dirigentes da legenda, inclui principalmente despesas de deslocamento e hospedagem de integrantes da direção partidária. “ O PT vai pagar as passagens só dos membros do Diretório Nacional. Quem veio acompanhar o ato veio por conta própria. Além disso, as outras despesas ficaram por conta do bolo e decoração do ato”, calculou Dutra.

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