PT eleva pressão sobre Mercadante e já cogita opções para 2012

Citado como favorito, ministro da Ciência e Tecnologia recebe prazo até agosto para manifestar interesse na prefeitura paulistana

Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

Em meio às primeiras articulações para a corrida municipal de 2012, o PT paulista fez chegar ao ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante , que espera o quanto antes uma resposta sobre seu interesse em concorrer à Prefeitura de São Paulo. Embora a demanda não chegue a ser descrita internamente como um ultimato – e também não dê ao petista a garantia da cabeça de chapa –, o partido avisou que vai aguardar uma posição no máximo até agosto.

O aumento das pressões vem acompanhado da movimentação pela construção de um novo nome para representar o PT na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A tese tem historicamente como um de seus principais patrocinadores o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , que há vários anos defende que a legenda precisa abrir espaço para novos líderes em seu berço político. Lula, entretanto, carrega na bagagem o fato de ter pedido a Mercadante que desistisse da reeleição no Senado, para disputar o governo de São Paulo em 2010.

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Partido elevou pressões sobre o ministro por uma resposta sobre seu interesse em pleitear a cabeça de chapa na eleição de 2012
Caso Mercadante se retire do páreo, a tendência é que o grupo da senadora Marta Suplicy volte a se movimentar. Ainda assim, alguns setores do partido já estudam fazer uma espécie de romaria a Brasília, para obter da ex-prefeita a garantia de que não se colocará na disputa.

Para a possibilidade de renovação, petistas trabalham três alternativas principais. Uma delas seria lançar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que no passado tentou se cacifar para a vaga, mas sempre enfrentou a resistência interna. Agora integrante do círculo próximo à presidenta Dilma Rousseff , ele teria que se dispor a abrir mão do estratégico Ministério da Justiça.

Embora tenha se visto às voltas com as polêmicas sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, também voltou a ser citado. Ele tem a simpatia de Lula, mas está longe de angariar apoio dentro do PT. Além disso, a lista inclui o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que computa a seu favor o bom trânsito no PT paulista, mas amarga a inexperiência nas urnas e o fato de ser o mais novo nome da fila.

Indecisão

A pressão sobre Mercadante interessa diretamente ao grupo de Marta, que torce para que o ministro se retire da disputa e opte por priorizar a corrida estadual de 2014. Mesmo que a própria senadora não seja candidata, seus aliados esperam manter o controle do processo eleitoral e já ventilam opções como o deputado Carlos Zarattini, coordenador da campanha de Marta na cidade em 2008.

Mercadante tem dito a aliados que de fato não está certo se deve entrar na disputa, mas insiste que também não está fora do páreo. "Ele deixou muito claro ao comando do partido que pode até desistir de concorrer pela vaga, mas que ainda não fechou esta porta", disse um aliado de Mercadante, reconhecendo que o ministro começa a ver com mais entusiasmo guardar seu capital para a disputa pelo governo de São Paulo, em 2014.

A esse quadro, soma-se o fato de o PSDB trabalhar cada vez mais o nome do ex-governador de São Paulo José Serra para o posto. Os dois estiveram em lados opostos na disputa pelo governo de São Paulo, em 2006, quando Mercadante viu sua candidatura ser abalada pela prisão de dois petistas que tentavam comprar um dossiê contra tucanos. DianteO caso ficou conhecido como o escândalo dos “aloprados”.

*Colaborou Andréia Sadi, iG Brasília

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