Os partidos estarão em lados opostos em pelo menos 61% das cidades com mais de 150 mil eleitores e em 17 das 26 capitais

A presidenta Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB)
Presidência da República
A presidenta Dilma Rousseff (PT) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB)
PT e PMDB, os dois principais partidos da base de sustentação do governo Dilma Rousseff, terão mais disputas do que alianças nas eleições municipais deste ano.

Segundo levantamento apresentado segunda-feira na reunião da comissão de acompanhamento eleitoral petista, PT e PMDB estarão em lados opostos em pelo menos 72 (61%) das 118 cidades com mais de 150 mil eleitores. O número pode ultrapassar os 80 municípios conforme a evolução do cenário eleitoral.

Além disso, PT e PMDB serão rivais em pelo menos 17 (65%) das 26 capitais em disputa.

De acordo com o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, até agora os dois partidos fecharam alianças em apenas três capitais. No Rio de Janeiro, o PT apoiará a reeleição do peemedebista Eduardo Paes. Em Goiânia e São Luís, o PMDB vai se aliar aos candidatos petistas.

A lista de cidades onde os partidos estarão em lados opostos é extensa: Rio Branco (AC), Belém (PA), Boa Vista (RR), Palmas (TO), Maceió (AL), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Recife (PE), Natal (RN), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). E pode ser bem maior conforme o andamento do quadro eleitoral.

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Segundo dirigentes de ambas legendas, os confrontos são naturais, dadas as peculiaridades locais das disputas municipais. No entanto, o alto número de disputas é motivo de preocupação no Palácio do Planalto, que teme um acirramento ainda maior da delicada relação entre os principais pilares de sustentação do governo.

Na última reunião do conselho político do governo, no início de fevereiro, a própria Dilma fez questão de dizer que se manterá longe das disputas para evitar a contaminação do governo.

“É evidente que isso merece um acompanhamento para evitar respingos no governo”, disse o secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas.

Para evitar que as disputas cheguem a Brasília, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, marcou uma série de reuniões com presidentes de partidos aliados para tratar das eleições. Com o PMDB, além de tentar possíveis alianças, Falcão deve firmar uma espécie de pacto de não agressão.

Segundo Raupp, as disputas são naturais. “Teremos candidatos em 22 capitais e se dependesse de mim teríamos em todas. Se o partido quiser se manter forte tem que lançar candidatos próprios”, afirmou Raupp, que nega possíveis respingos no governo. “Isso não vai acontecer de maneira alguma. Os partidos são livres e independentes. Na maioria das cidades tem segundo turno. Onde não der aliança no primeiro estaremos juntos no segundo turno”.

Apesar das tentativas de manter as aparências, os dois lados reclamam da intransigência alheia. “Não é só o PMDB que não quer apoiar o PT”, alfinetou Raupp.

“Na Bahia eles não quiseram nos apoiar. Em Porto Alegre, Campo Grande e outras cidades também”, rebateu Vargas. Segundo ele, apesar das disputas não existem casos de atritos graves entre PT e PMDB. “Por mais que os números falem não tem nenhum caso simbólico de atrito”, afirmou o petista.

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