PT compara Dilma a Mandela na TV

Programa do PT tenta atenuar imagem de radical da pré-candidata à presidência

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Moça de família mineira que foi vítima da ditadura e deu a volta por cima por seus próprios méritos até se tornar a principal parceira do presidente Lula. Foi assim que o PT apresentou sua pré-candidata à presidência, Dilma Rousseff, no programa exibido em rede nacional na noite desta quinta-feira.

Para atenuar a imagem de radical que participou da luta armada, o programa compara Dilma ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, que também pegou em armas e foi preso na luta contra o Apartheid.

“Lula e Dilma, duas trajetórias que se aproximaram até formar a parceria que mudou o país”, sintetizou o locutor.

Em dez minutos o programa produzido pelo publicitário João Santana atacou cirurgicamente tanto os pontos sensíveis da pré-candidata quanto as fraquezas de seus adversários.

Um dos temas mais abordados foi a atuação política de Dilma contra a ditadura militar. Lula chegou a comparar a pré-candidata do PT com Mandela - que liderou um grupo armado, foi preso, assumiu a presidência e se tornou símbolo mundial da paz. “O Mandela me disse que foi para o confronto porque não deram outra opção”, justificou Lula.

A própria Dilma deu sua versão. “Lutei sim. Lutei pela liberdade e pela democracia com os meio e as concepções que eu tinha”, admitiu . “Quando o Brasil mudou, eu mudei. Mas nunca mudei de lado”, completou.

Dilma militou no Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo que defendia a luta armada contra a ditadura, mas, segundo ela, nunca participou de ações violentas. O episódio tem sido explorado e distorcido na internet.

Além disso o programa destacou o lado humano de Dilma. “O que eu mais admiro na Dilma é a própria história dela, a história de uma mulher que viveu tudo muito intensamente. É uma tremenda história de vida” , disse Lula.

O programa destaca que Dilma nasceu em Belo Horizonte, se formou politicamente no Rio Grande do Sul, mas não explora aspectos da intimidade da pré-candidata, como a luta contra o câncer no ano passado e a gravidez de sua filha, Paula. O objetivo é aproximar Dilma do eleitorado sem apelar para o dramalhão.

João Santana gastou boa parte do programa tentando associar Dilma a todos os programas bem avaliados do governo como PAC, Luz Para Todos e Minha Casa Minha Vida. Para sair da simples exposição de números, Dilma foi até as casas de dois beneficiários do Luz Para Todos e os entrevistou.

Mas os números tiveram papel importante. O programa apostou na comparação entre “Lula e Dilma” contra “Fernando Henrique e Serra” com dados poderosos como a geração de 12 milhões de empregos em 7 anos contra e apenas 5 milhões dos tucanos em 8 anos, ou os oito meses de racionamento de energia do governo FHC contra nenhum racionamento no governo Lula.

No final, um slogan longo: “O Brasil já encontrou o caminho certo. É hora de acelerar e seguir em frente”.

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