PT cogita abrir mão de candidatura própria em Porto Alegre

Com aliados fortes e sem candidato natural à sucessão, sigla avalia se deve abrir mão de disputar comando da capital gaúcha

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O Partido dos Trabalhadores esteve à frente da prefeitura de Porto Alegre durante 16 anos, mas nas duas últimas eleições viu seus adversários locais vencerem. No momento em que o partido governa o Estado, porém, o PT cogita abrir mão de lançar candidatura própria - algo que seria inédito desde que o partido começou a disputar as eleições na capital gaúcha.

AE/ARQUIVO
Manuela D'Ávila, cotada para disputar a prefeitura de Porto Alegre pelo PC do B
Um dos motivos é a ampla base partidária que sustenta o governo do petista Tarso Genro. Outro problema do PT é a falta de um nome que possa ser tão competitivo quanto o dos aliados.

Até o momento, dois dos prováveis candidatos à prefeitura de Porto Alegre – o atual prefeito José Fortunati (PDT) e a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) – são de partidos da base de sustentação de Tarso e estão bem cotados entre os eleitores. Para não comprometer a aliança e ter chances reais de voltar a ter influência sobre a administração da cidade, o PT analisa se lança candidato próprio ou se dispõe a entrar como vice em uma das chapas.

Presidente do PT em Porto Alegre, o vereador Adeli Sell é o único petista até o momento que colocou seu nome à disposição, “em qualquer circunstância”. Ele está conversando com as lideranças de todos os partidos, à exceção de PSDB, DEM, PPS e PMDB, adversários tradicionais no Estado.

“O ideal seria ter candidatura própria, pelo peso do PT e a força que ele tem. Agora, se nós avaliarmos que seria melhor para o partido uma coligação, abrindo mão da cabeça de chapa, isso será analisado serenamente pelo partido, tanto pela direção quanto pela base”, admite o vereador.

Para o vereador, no entanto, uma composição com Fortunati estaria mais distante.

“Na minha opinião, qualquer aliança com o PDT está no limite dos limites. Em novembro, dissemos ao Fortunati e à bancada que, se houvesse um remanejo interno, estaríamos juntos. Mas o prefeito caminhou no sentido oposto. As coisas começaram a se complicar”, afirma Adeli Sell. Ele se refere às nomeações feitas após a eleição presidencial por Fortunati, que chamou para a administração nomes ligados a partidos adversários do PT.

“Não há definição”

Caso o PT abra mão de candidatura própria à prefeitura de Porto Alegre, seria a primeira vez que o partido não teria um candidato a prefeito desde que, em 1985, Raul Pont ficou em terceiro lugar na disputa. De lá para cá, o PT administrou a cidade quatro vezes seguidas, tornando Porto Alegre um dos símbolos do partido.

Para o próprio Raul Pont, hoje deputado e presidente estadual do partido, ainda é cedo para qualquer definição. A orientação é para que o PT tenha candidato próprio em todos os municípios gaúchos onde for possível. “Estamos orientando, de qualquer forma, levar em conta a coligação estadual para fazer alianças. Onde não houver problemas, vamos construir alianças”, admite.

Uma cidade onde pode haver “problemas” é justamente Porto Alegre, avalia o petista. A dificuldade de compor com um ou outro partido poderia levar o PT a ter candidato próprio. “Porto Alegre é um caso concreto da dificuldade. O PDT já tem candidato e está no governo Tarso. O PC do B quer lançar a Manuela. Nós somos o maior partido do Estado e da capital e não podemos ter candidato?”, questiona.

Em uma crítica indireta ao colega de partido, que já se lançou candidato, Raul Pont acredita que o surgimento de nomes a mais de um ano da eleição pode prejudicar o diálogo com os partidos aliados

“Não há uma definição. Já me manifestei várias vezes de que queremos que não se criem fatos consumados. Somos oito partidos, se cada um dos aliados do governo Tarso lançar candidato, será difícil chegar a um acordo”, afirma. “O melhor é não insistir com pré-candidaturas de maneira precoce, porque só radicaliza posições e dificulta o diálogo”, finaliza.

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