PT busca acordo prévio com PMDB para eleição em São Paulo

Com candidatura de Chalita na capital, partido age para garantir apoio e tempo de televisão da sigla aliada em eventual 2º turno

Clarissa Oliveira e Nara Alves, iG São Paulo |

Sob orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , o PT tenta firmar um acordo prévio com o PMDB para a eleição de 2012 em São Paulo. Enquanto a sigla aliada articula a candidatura à prefeitura paulistana do deputado Gabriel Chalita (hoje no PSB), o comando petista começou a identificar cidades do interior e litoral paulista onde poderia abrir mão da cabeça de chapa. Em troca, tentará obter dos peemedebistas a garantia de apoio em um eventual segundo turno.

O PT começou no mês passado a percorrer várias regiões do Estado em caravanas, com o objetivo de mobilizar a base e traçar um diagnóstico da corrida eleitoral. Foram identificadas, por exemplo, oportunidades de apoiar candidatos do PMDB em cidades como Bauru e Rio Claro. Ou ainda em alguns municípios da Baixada Santista e da região de Campinas.

AE
PT espera isolar setores do PMDB que orbitavam em torno de Orestes Quércia e replicar nos municípios aliança que colocou Michel Temer na vice de Dilma Rousseff
Lula reforçou a necessidade de o PT garantir uma aliança forte com o PMDB em pelo menos duas conversas que teve com líderes petistas nas últimas semanas. O ex-presidente também falou sobre o assunto em um encontro com prefeitos no mês passado. Em todos os casos, disse enxergar chances reais de o PT recuperar o comando da Prefeitura de São Paulo, posto que perdeu para o PSDB em 2004, quando a hoje senadora Marta Suplicy foi derrotada nas urnas pelo ex-governador José Serra .

O discurso que predomina na cúpula petista é a de que a candidatura de Chalita - que deve formalizar no mês que vem sua transferência para o PMDB - ajudará a enfraquecer o campo tucano na eleição paulistana. Por enquanto, petistas dão como praticamente certa a candidatura de Serra à prefeitura paulistana. E enxergam em Chalita - que é afilhado político do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin - um reforço para ganhar o apoio da classe média.  

Em um cenário ideal, entretanto, o PT gostaria de convencer Chalita a ser vice em uma chapa encabeçada por um petista. O deputado já ouviu um apelo de Marta, que intensificou nas últimas semanas os esforços para entrar na corrida. Chalita também conversou na semana passada com o ministro da Educação, Fernando Haddad, apontado como o nome da preferência de Lula para a vaga. Até agora, segundo petistas, o deputado só não esteve com um dos principais cotados para disputar a prefeitura paulistana pelo PT, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante .

Cerco

O plano do PT é isolar os setores do PMDB que orbitavam em torno de Orestes Quércia. O ex-governador, que contolava o partido no Estado, morreu vítima de um câncer no ano passado. Na eleição municipal de 2008, petistas viram seus planos de selar um acordo na capital caírem por terra após Quércia contrariar o PMDB nacional e selar uma aliança com o PSDB de Serra.

O PT, desta vez, se apoia no PMDB do vice-presidente Michel Temer . “Nós vamos priorizar construção de uma política de alianças que reproduza o campo que tem dado sustentação ao governo Dilma ”, afirma o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

O PSDB, entretanto, promete trabalhar para manter o vínculo com o PMDB paulista. Para o presidente do PSDB paulista eleito ontem, deputado estadual Pedro Tobias, a aliança entre tucanos e peemedebistas deve continuar em algumas cidades em 2012. Ele cita como exemplo a aliança com o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB), um dos principais herdeiros políticos de Quércia. "Barbieri sempre foi leal conosco, apoiou Alckmin e Serra, e é um grande prefeito", disse Tobias. "A aliança pode continuar, sim."

O prefeito Marcelo Barbieri ratifica a fala de Pedro Tobias. "Tenho uma aliança com o PSDB, com Geraldo Alckmin , e tanto o Baleia Rossi ( presidente do PMDB-SP ) como o Temer sabem disso. O que o PMDB quer é se fortalecer como partido, e não como apêndice do PT, senão, não teria trazido Chalita e Paulo Skaf ( presidente da Fiesp ) . Mas aqui ( em Araraquara ), o PT é meu adversário", afirma.

    Leia tudo sobre: eleições 2012são paulopt

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG