Partido quer a garantia de que o governador vai apoiar José Pimentel, mas o irmão de Ciro cogita apoiar Tasso Jereissati, do PSDB

A saída de Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa presidencial transferiu os holofotes para seu irmão e candidato à reeleição ao governado do Ceará, Cid Gomes. O impasse envolvendo a família Gomes agora é o quadro eleitoral no Estado, onde o PT pressiona pela segunda vaga ao Senado na chapa de Cid. O governador já declarou que deve apoiar o deputado Eunício Oliveira (PMDB), para o Senado. Mas, nas palavras dos petistas, o “governador se calou” e incomoda o partido do presidente Lula com as insinuações de que a outra vaga ficará com o amigo e tucano Tasso Jereissati, candidato à reeleição, e não com o ex-ministro da Previdência José Pimentel, da base aliada.

Nesta terça-feira, o presidente do PSB, Eduardo Campos, deve viajar a Brasília para discutir com petistas problemas nas alianças estaduais, principalmente em São Paulo e no Ceará. Os sinais de que a crise entre PT e PSB no Estado está instalada se aprofundaram na semana passada. Durante exposição da coordenadora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Miriam Belchior, em café da manhã com a bancada do Nordeste, Pimentel fez duras críticas ao governo do Estado, liderado por Cid.

Sobre investimento, o ex-ministro disse que não é culpa do governo federal e sim do governo estadual pontos críticos na região. Citou, por exemplo, as dificuldades do governo do aliado em atingir a meta  do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que prevê construir mais de 50 mil casas no Ceará. "Se não for bem aplicado, terá de ser devolvido um montante de R$1,7 bilhão”, disse Pimentel, segundo relatos.

Campos, após participar da abertura da exposição Arraestaqui - Miguel Arraes em charges de 1979 a 2002, na Câmara, deve se reunir com os petistas para discutir as provocações de Pimentel a Cid.

O vice-presidente do PT no Estado, deputado Jose Nobre Guimarães, disse ao iG que as conversas entre os partidos estavam adiantadas até que o PSB e PT mudaram o foco para o impasse nacional. Ele disse que o PT não vai impor condições ao PSB, mas admite eventuais problemas com aliança de Cid. “Não vou falar sobre teses, as alianças se constroem com conversas. Mas a orientação da direção regional é o apoio do PT para a reeleição de Cid e Pimentel para o Senado”, disse o deputado.

O acordo para apoiar Eunício foi feito em 2006, quando o PMDB abriu mão da vaga do Senado para Inácio Arruda, então candidato pelo PCdoB. Eunício retirou a candidatura e todos os aliados se comprometeriam a apoiá-lo neste ano. O acordo foi cumprido, mas a segunda vaga ainda está em aberto. Segundo aliados de Pimentel, “ ninguém imaginou que a segunda vaga fosse disputada com Tasso”.

A presidente do PT no Ceará é Luizianne Lins, prefeita de Fortaleza. Ela foi procurada pela reportagem, mas não retornou as ligações. Para esta segunda-feira,estava prevista uma reunião da Executiva do partido no Estado, onde os membros deveriam tratar de eleições, mas o encontro foi adiado devido a problemas pessoais da prefeita, segundo o partido.

O PT diz que Cid não conversou com o partido sobre a aliança e espera uma posição para tomar sua decisão. O partido teme que Cid arraste a decisão até junho, quando acontecem as convenções partidárias, e dificulte a articulação PT com outros partidos.

Uma das teses defendidas por Cid é que o apoio fosse dado informalmente ao tucano, mas o PT rejeita qualquer aliança com o PSDB, partido do presidenciável José Serra e adversário de Dilma Rousseff. O tucano acredita que somente no final deste mês haverá uma definição. Na sua avaliação, o impacto causado pela saída de Ciro Gomes da corrida presidencial "foi muito grande" e deixou "um vazio" no Ceará. "A gente tinha de deixar a poeira baixar para conversar agora", diz.


Dúvida no PSDB

O PSDB cearense não sabe se deve apoiar , mesmo que informalmente, a reeleição de Cid ou lançar candidato próprio ao governo. O certo é que com o amigo Ciro fora do jogo, ficará mais fácil para Tasso fazer o que não fez em 2002: entrar de corpo e alma na campanha para eleger Serra presidente.

Naquele ano, os tucanos cearenses ficaram divididos entre Ciro, cuja raiz política é a mesma de Tasso, e Serra. O próprio Tasso foi acusado de fazer corpo mole e lavar as mãos diante da candidatura Serra por ter sido ele próprio preterido pelos tucanos.


*Com informações da Agência Estado

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.