PT ainda vê com desconfiança movimento de Kassab rumo ao PMDB

Embora o prefeito dê sinais de que pode entrar na base governista, avaliação é a de que ele manterá vínculo primordial com Serra

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), cresceu sob a benção de Paulo Maluf (PP), se firmou no cenário político com apoio de José Serra (PSDB-SP) e nos últimos meses tem dado sinais de que pode abandonar o tucano para integrar a base de apoio da presidenta Dilma Rousseff (PT) ao trocar o oposicionista DEM pelo governista PMDB.

AE
Movimentação do prefeito ainda desperta desconfiança no partido da presidenta Dilma
A movimentação, no entanto, ainda é vista com desconfiança pelo PT. Segundo petistas, a sinalização de Kassab rumo a Dilma e ao PT colide com suas ações no governo. “Não temos nenhum problema pessoal com o Kassab. Se ele um dia vier a romper com o PSDB e o DEM estaremos abertos a conversar”, disse o líder do PT na Câmara Municipal, José Américo.

Apesar dos afagos públicos a Dilma e seus aliados, Kassab abriga na prefeitura vários tucanos ligados a Serra que ficaram no sereno com o retorno de Geraldo Alckmin   - adversário interno do ex-governador no PSDB - ao Palácio dos Bandeirantes. A lista de serristas no secretariado de Kassab é longa: Mauro Ricardo Costa (Finanças), Januário Montone (Saúde), Alexandre Schneider (Educação), Clóvis Carvalho (Governo) e Walter Feldman (Esportes).

Na área administrativa, Kassab ainda resiste, na versão dos petistas, em acelerar a implantação de programas do governo federal como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, tirando da maior vitrine do Brasil os principais êxitos do governo Luiz Inácio Lula da Silva .

Além disso, Kassab disse a pelo menos dois vereadores ouvidos pelo iG , um deles da oposição, que se o candidato a prefeito em 2012 for Serra ou seu aliado, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), não teria como deixar de apoiá-los.

Sinais

Por outro lado, além das indicações de que pode trocar o oposicionista DEM pelo governista PMDB, Kassab tem distribuído afagos ao governo Dilma. Um exemplo disso foi a cerimônia de entrega da Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, quando líderes petistas e governistas lotaram a prefeitura. Apesar disso, em momento algum o prefeito esboçou a possibilidade de ruptura com Serra.

Segundo líderes do PT em São Paulo, Kassab pode estar fazendo um “jogo combinado” com Serra: se aproxima até o limite do governo Dilma, com isso quebra resistências da cúpula nacional do PMDB à sua filiação ao partido, ocupa o vácuo deixado pelo ex-governador Orestes Quércia (morto no final do ano passado) e mantém o apoio do PMDB a Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012.

Embora seja um partido relativamente pequeno em São Paulo, o PMDB tem sido a fiel da balança nas últimas eleições municipais devido principalmente a tempo na TV (definido em parte com base na bancada federal). Em 2004, a então prefeita Marta Suplicy (PT) dispensou o apoio do partido e perdeu a eleição para Serra. Em 2008 o PMDB apoiou Kassab, que acabou batendo Marta e Alckmin. Kassab foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa mas não quis comentar.

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