PSDB vacila em punir deputado envolvido em esquema de Cachoeira

Tucanos tomam postura diversa do parceiro de oposição, o DEM, que abriu processo de expulsão contra senador

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Brasil
PSDB vai avaliar punição contra deputado Carlos Leréia
Enquanto o DEM foi ágil e resolveu abrir processo de expulsão contra Demóstenes Torres (GO) assim que surgiram as primeiras gravações em que ele aparece a serviço do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira , o PSDB ainda vacila sobre o que fazer com Carlos Alberto Leréia (GO).  Como o colega senador, o deputado tucano aparece em interceptações telefônicas em conversas com integrantes do grupo do contraventor.

Questionado sobre o assunto, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirma que vai estudar o caso de Leréia com o líder do partido na Câmar, Bruno Araújo. "Cheguei de viagem ontem. Antes de qualquer coisa, quero falar com o líder do bancada do PSDB", diz Guerra.

Há duas semanas já se sabe que Leréia aparece nas investigações da Polícia Federal. Ele teria recebido depósitos bancários e até imóveis do esquema de Carlinhos Cachoeira. Leréia já admitiu ser amigo do bicheiro.

A reportagem do iG tentou falar com Leréia ontem à noite, mas ele não retornou aos recados. Segundo colegas de bancada, Leréia nunca escondeu ser amigo de Carlinhos Cachoeira. “Assim que foram divulgadas as primeiras gravações, ele já avisou que o nome dele apareceria nas investigações”, conta um tucano que prefere não se identificar.

O presidente do PSDB, porém, afirmou que o partido já decidiu que vai apoiar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso, o que contraria o governador de Goiás, “Vamos apoiar a CPI e não tem nenhum problema com o Marconi”, afirma ao iG  presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE). Atualmente já existe um pedido de CPI protocolado na Câmara. No Senado, também há coleta de assinaturas para uma comissão na Casa.

PPS não vê gravidade

Leréia é amigo pessoal do deputado Stephan Nercessian (PPS-RJ), que admitiu ter recebido R$ 175 mil de Cachoeira. Ele contou que pediu R$ 160 mil para comprar um imóvel porque temeu que não conseguisse um financiamento em banco. Disse também que os outros R$ 15 mil restantes foram usados para comprar ingressos para o carnaval carioca.

Nercessian pediu uma licença do PPS. O partido, porém, não estuda puni-lo. “Não há nada tão grave. A única coisa que apareceu foi um empréstimo”, diz o secretário-geral do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). “Ele ainda não teve acesso aos documentos das investigações. “Só depois disso é que poderá apresentar a sua defesa”, completa.

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