PSDB quer reeditar aliança com PT em BH, diz presidente da sigla

Marcus Pestana, que lidera o partido no Estado, defende união para apoiar o atual prefeito, Marcio Lacerda

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Divulgação
Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas
Em conversa com o iG , o presidente do PSDB de Minas Gerais, o deputado federal Marcus Pestana (PSDB), sinaliza possibilidade de tucanos e petistas se entenderem no próximo ano em torno da reeleição do atual prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB).

Ele diz, entretanto, haver uma ala do PT preocupada porque a legenda está diminuindo em Minas , com derrotas seguidas na sucessão estadual, por exemplo. Pestana conta que o ex-ministro do Turismo e das Relações Institucionais do governo Lula , Walfrido dos Mares Guia (PSB), assume papel importante na condução do processo eleitoral em Belo Horizonte.

O dirigente tucano afirma que o ministro é favorável à reedição da dobradinha entre PT e PSDB na capital mineira e entra no campo das articulações ao assumir o comando do PSB em Minas Gerais.

O tucano também revelou a existência de uma turbulência no relacionamento do vice-prefeito Roberto Carvalho (PT) com o prefeito Marcio Lacerda (PSB) e destacou que vem mantendo conversas informais com políticos ligados ao ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT). Este grupo, avalia o tucano, seria menos resistente à reedição da aliança entre PT e PSDB em Belo Horizonte, nas eleições de 2012.

Leia os principais trechos da entrevista:

iG - No entendimento do senhor, os acordos políticos para a sucessão municipal de 2012 estão atrelados aos acordos para 2014?

Marcus Pestana - Não há essa conexão. Muito políticos, analistas, jornalistas e articulistas fazem essa conexão, mas ela não é verdadeira. Essa história de que eleição municipal é antessala da presidencial não existe. Prova disso é que o ex-presidente Fernando Collor não tinha um prefeito e foi presidente da República.

iG - De 0 a 10, qual a chance de o PSDB lançar nome próprio para a prefeitura de Belo Horizonte no ano que vem?

Marcus Pestana - Difícil dar uma nota. Tudo ainda é muito embrionário.

iG - Já existiu ou está previsto algum tipo de interlocução com o PT para tentar reeditar a aliança entre tucanos e petistas em 2012, na sucessão do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda?

Marcus Pestana - Isso vai depender. As conversas estão num estágio muito embrionário. Então não dá para saber hoje o que será a configuração de 2012. Almocei com o Marcio (Lacerda), tive um encontro com o Walfrido Mares Guia (ex-ministro do governo Lula), que assume agora a presidência estadual do PSB e tive outros encontros.

O Walfrido defende a aliança do PT com o PSDB, mas com regras claras, com negociação de participação no governo, de uma gestão compartilhada. Tenho conversado informalmente com o Reginaldo Lopes (presidente do PT de Minas Gerais), o Miguel Corrêa e o Gabriel Guimarães (deputados federais). Também já tive um rápido encontro com o Fernando Pimentel (ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), mas não é o momento de afunilar.

Há uma pressão forte no PT pela candidatura própria . Eles ainda não decidiram a vida deles e tem uma corrente forte no PT pela candidatura própria, composta pelo vice-prefeito Roberto Carvalho, um grupo de extrema esquerda ligado ao Rogério Correia (deputado estadual, líder do bloco de oposição "Minas Sem Censura") e boa parte do grupo do Patrus (Ananias, ex-ministro do governo Lula derrotado na eleição do ano passado, como candidato a vice-governador em chapa encabeçada pelo ex-ministro Hélio Costa, do PMDB). Eles estão notando que o partido está diminuindo .

iG - Então a interlocução do PSDB mineiro é com o grupo ligado ao ministro Fernando Pimentel.

Marcus Pestana - Sim, é com o grupo do Pimentel que quer a aliança (tucanos e petistas), mas nem todo o grupo. O Roberto Carvalho é o maior adversário da aliança. O Marcio (Lacerda) não aceita o Roberto de vice. Ele (Roberto) faz oposição ao Marcio, conspira o tempo todo. Não há recomposição possível entre o Marcio e o Roberto. E o Roberto é da turma do Pimentel, ele é um líder, presidente do PT municipal e está puxando a proposta da candidatura própria.

Os petistas históricos estão incomodados porque desde 2006, quando lançaram o Nilmário (Miranda, ex-ministro de Lula) em chapa com o Newton Cardoso (ex-governador de Minas, hoje deputado federal), houve um desgaste muito grande.

iG - Há rumores de que Aécio ofereceu o caminho livre de candidatura ao governo do Estado para o Marcio Lacerda, em 2014, em troca da indicação de um vice tucano no ano que vem. É verdade?

Marcus Pestana - Não existe isso. É a mesma coisa que o Tardelli (Diego Tardelli, ex-atacante do Atlético Mineiro) colocar a bola na marca do pênalti, olhar para o goleiro e chutar para a arquibancada. Não houve esta proposta e não haverá, simplesmente porque o Aécio é um político hábil e sabe administrar duas variáveis de tempo e informação. Ele não conecta a eleição de 2014 com a de 2012, não faria isso.

Além disso, o Marcio já deixou claro que não sairia contra o Aécio ou o Pimentel por gratidão pessoal. E também pretende cumprir seu mandato de prefeito por quatro anos (no caso da reeleição). Se uma proposta dessa fosse feita, Marcio não aceitaria.

iG - Qual peso o PSD de Gilberto Kassab terá nas articulações políticas a partir do ano que vem? O senhor entende o PSD como um aliado no futuro?

Marcus Pestana - Pode ser aliado mais para frente. O partido do Kassab ainda está em processo de estruturação, mas todos em Minas são nossos companheiros. Conversaremos com eles e com outros aliados também. Todos os partidos são nossos aliados em Minas, menos o PT e o PCdoB.

iG - E o PMDB?

Marcus Pestana - É. E parte do PMDB.

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