PSDB não tem candidato óbvio à prefeitura, diz filho de Mario Covas

Em conversa com o iG, Zuzinha diz ser pré-candidato a vereador e afirma não ter preferência por José Serra ou outro nome

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O advogado Mario Covas Neto, o Zuzinha, filho do ex-governador Mario Covas e pré-candidato a vereador pelo PSDB, engrossou ontem o movimento pela manutenção das prévias para definir o candidato tucano à prefeitura de São Paulo.

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Em evento realizado terça-feira à noite na sede do diretório estadual do partido, na zona sul da capital paulista, Zuzinha disse que ao contrário de eleições passadas, desta vez, apesar de toda a pressão para a escolha do ex-governador de São Paulo José Serra , o PSDB não existe um nome de consenso.

“Ao longo do tempo nós tivemos candidatos a prefeito, governador, presidente, que eram mais ou menos óbvios. Eram os candidatos da preferência da militância mesmo. Não havia nenhum problema na indicação deste ou daquele porque representavam exatamente o desejo de todos. Acho que agora nós vivemos um novo momento”, disse Zuzinha.

Assista a trecho do discurso de Zuzinha no PSDB:

Ex-secretário de Governo de Caraguatatuba, o filho de Covas será candidato a vereador pela primeira vez. No final de janeiro o sobrinho de Zuzinha, o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas, abandonou a pré-candidatura em favor de Serra levando todo seu grupo para o lado do ex-prefeito.

Por isso, a presença dele no evento de terça-feira, no qual a maior parte dos participantes apoiava o secretário estadual de Energia, José Anibal, causou estranheza entre líderes tucanos. Serra é o grande interessado em evitar as prévias.

Em conversa com o iG , Zuzinha disse não ter preferência por nenhum dos três pré-candidatos, Serra, José Aníbal e o deputado federal Ricardo Tripoli.

“Não apoio nenhum deles. Não apoiei nem quando meu sobrinho ( Bruno Covas ) estava na disputa. Sou a favor da realização das prévias e da continuidade do processo”, disse ele.

AE
Encontro de militantes se transformou numa espécie de terapia de grupo

Divã tucano

Sem a presença dos três pré-candidatos, o evento de terça-feira se transformou numa espécie se terapia de grupo na qual militantes tucanos encontraram espaço para expor suas críticas e aflições.

“O PSDB de certo modo estava dormindo e só acordou agora”, avaliou o empresário J. Iran Silva, que estava afastado há anos das atividades partidárias e voltou agora, por causa das prévias, e deve ser candidato a vereador.

A análise de que o PSDB demorou para envolver a militância em seus processos decisórios, a exemplo do que fazia o PT, foi tema recorrente. Alguns chegaram a dizer que os adversários abandonaram a democracia interna e se tornaram um partido de caciques.

Outros, como o também pré-candidato a vereador e cientista político formado pela Universidade de São Paulo Joel Formiga, pareciam encantados com a experiência inédita de contato popular. “Descobri agora que não é na Academia, não é na USP que se aprende política. É aqui”, disse Formiga.

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