PSD quer mais cargos em Minas e DEM diz que sigla é contra Estado

Anastasia prepara reforma no secretariado para aumentar apoio ao seu governo na Assembleia e manter vivo projeto Aécio-2014

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Muita gente desconfiou que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fosse capaz de criar uma legenda. No início de 2011, quando o PSD era apenas um projeto, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que partido não se faz do dia para a noite e ironizou as intenções de Kassab. Passada a fase inicial de estranhamento, Kassab esteve em Belo Horizonte para lançar o PSD e anunciou que os oito deputados estaduais mineiros seriam da base do governador Antonio Anastasia (PSDB), sucessor e afilhado político de Aécio.

Agora, consolidado, o PSD quer mais de Anastasia. E o tucano precisa montar um quebra-cabeça para aumentar o espaço do PSD de Kassab no seu governo. Isso sem melindrar o DEM, aliado histórico dos tucanos, mas cada vez com menor força política.

Em março de 2011: Aécio diz que Kassab "deve ter ou acha ter" condição de criar PSD

Em abril de 2011: PSD de Kassab apoia Anastasia em Minas

A distribuição do secretariado de Anastasia obedeceu alguns critérios: buscar a sustentação de seu próprio governo na Assembleia e fortalecer o projeto de Aécio à Presidência da República em 2014. Antecessor de Anastasia, Aécio teria negociado espaços no governo Anastasia para legendas consideradas estratégicas como o PSB, o PP e o PR, todos base da presidenta Dilma Rousseff no Congresso Nacional, mas ligadas aos tucanos em Minas. O PSD nem existia quando Anastasia foi eleito, mas, com a proporção que tomou, não poderá ser ignorado.

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O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab: partido apoia Dilma, Anastasia, Alckmin, Aécio...
Em Minas, o PSD já nasceu na base de Anastasia e representa a terceira maior bancada da Assembleia, ao lado do PMDB. O secretário estadual de Gestão Metropolitana, deputado federal Alexandre Silveira, deixou o PPS e embarcou no projeto de Kassab. Logo quando ingressou no PSD, Silveira avisou que poderia trabalhar no sentido de tentar viabilizar apoio da nova legenda ao projeto presidencial de Aécio.

“Se tivermos oportunidade de aproximação com o Aécio, será muito bom. Ainda não conversamos sobre 2014 no partido. Está aberto”, diz um dos fundadores do PSD e presidente da legenda em Minas, o empresário Paulo Safady. Em dezembro, ele se reuniu-se com o governador mineiro para dar início às conversas em busca de mais espaço para o PSD. “É natural que o PSD ganhe um espaço condizente com seu tamanho e importância na assembleia”, diz Safady, indicando que não abre mão de uma secretaria de maior peso.

É natural que o PSD ganhe um espaço condizente com seu tamanho e importância na Assembleia”, diz Safady, indicando que não abre mão de uma secretaria de maior peso

Diretor-geral do Departamento de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) durante a gestão de Lula, Silveira é cotado para assumir a pasta de Transportes e Obras Públicas, mas não foi encontrado para comentar o assunto. Outro nome do PSD cotado para assumir a pasta é o do deputado federal Marcos Montes. A equação a ser resolvida por Anastasia? O DEM ocupa a pasta de Transportes e Obras Públicas, com Carlos Melles, deputado federal licenciado. Além de Melles, o DEM chefia a secretaria estadual de Agricultura, com o suplente de Aécio, Elmiro Nascimento. O DEM elegeu 4 deputados estaduais em 2010 e hoje possui três, menos da metade da bancada do PSD.

O atual secretário de Transportes de Anastasia, entretanto, não aceitaria deixar a pasta sem negociar uma compensação. Questionado sobre o assunto,ele desconversou: “Não estou sabendo de nada. Entendo que está tudo ok”.

Ex-presidente do DEM, o deputado federal Rodrigo Maia (RJ) descarta a hipótese de saída de Melles da secretaria de Transportes. “Não acredito em saída do Melles, pois ele está muito bem na secretaria. Acho que o PSD foi criado em um projeto contra o Aécio. É um projeto paulista e contra Minas Gerais. Não temos interesse em abrir espaço para um partido criado contra o Aécio Neves”, avisou Maia em conversa com o iG .

Wellington Pedro/Divulgação
Aécio Neves encontra seu sucessor, Antonio Anastasia
O ex-presidente do DEM diz ainda que não deve interessar ao Aécio “um partido que sai da oposição e vai para a base do governo Dilma”. E completa: "Nessa composição, não interessa briga pública, mas o espaço do DEM no governo Anastasia está colocado e estamos satisfeitos. Não acredito em mudança e tenho certeza que este assunto não está na pauta”, completou.

PSDB

Do PSDB, o secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada, deve voltar à Assembleia como líder de governo. Tucanos no governo avaliam como fraco o desempenho do atual líder, deputado Luiz Humberto, cotado para disputar a prefeitura de Uberlândia, hoje nas mãos do PP. O atual prefeito, Odelmo Carneiro, é simpático à ideia.

Anastasia foi questionado pelo iG sobre a reforma do secretariado em entrevista coletiva sobre chuvas no último dia 3 de janeiro. Foi econômico ao se expressar. “Calma”, respondeu o governador. O secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro (PSDB), afirmou que o governador ainda não trata deste assunto, mas que já avisou ser natural a saída e entrada de secretários no governo - a senha de que a reforma está próxima.

Aécio 2014

Da base de Dilma e Anastasia, o grupo chamado Dilmasia na eleição de 2010, o PSB e o PP são considerados estratégicos para o projeto Aécio 2014. O primeiro detém a secretaria de Educação, com Ana Lúcia Gazzolla. Apesar de desgastada com a greve dos professores estaduais , de mais de 100 dias, ocorrida no ano passado, interlocutores de Anastasia apostam que Gazzolla continua no cargo. Em uma reunião de balanço do secretariado, Anastasia elogiou a condução da greve por Gazzolla.

O PSD foi criado em um projeto contra o Aécio. É um projeto paulista e contra Minas Gerais. Não temos interesse em abrir espaço para um partido criado contra o Aécio Neves”, diz ex-presidente do DEM, Rodrigo Maia

Wander Borges, secretario de Desenvolvimento Social, também do PSB, é outro com grandes chances de permanecer no cargo, por causa da força de sua legenda, hoje comandada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Campos, de acordo com o presidente do PSDB mineiro, deputado federal Marcus Pestana, seria o vice dos sonhos de Aécio, pois uniria Sudeste e Nordeste, estratégia considerada interessante na hora de composição de uma chapa presidencial.

Além da vice, com Alberto Pinto Coelho, o PP ocupa a secretaria Extraordinária dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, com o deputado estadual Gil Pereira. Cotado para disputar a prefeitura de Montes Claros, no norte de Minas, Pereira pode deixar a pasta em uma negociação com o governo. O vice de Anastasia já deixou claro em várias entrevistas que trabalhará para trazer o PP nacional para o projeto Aécio 2014.

Em 2009, Aécio costurou apoio do PP para se candidatar à Presidência da República em 2010, mas não conseguiu sustentação em sua própria legenda. Um dos principais caciques do PP é o senador Francisco Dornelles, primo de Aécio e presidente nacional do partido.

O PR, outro partido do grupo chamado Dilmasia, também não esconde que, em Minas, levará sua bancada a apoiar Aécio em 2014. O secretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, deputado federal licenciado Bilac Pinto (PR), afirmou ao iG que, apesar de dar sustentação ao governo Dilma, “nada o inibe” de trabalhar para apoiar Aécio em dois anos.

“Enquanto eu for necessário em função das composições, continuo. Se tivermos candidato (à Presidência da República) chamado Aécio, vamos efetivamente convergir com este projeto. É uma posição particular minha, de trabalhar junto com os mineiros para demonstrar a viabilidade eleitoral”.

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